29/JAN/2014 – UNIÃO EUROPEIA E CUBA
AVANÇAM EM NEGOCIAÇÕES SOBRE ACORDO COMERCIAL
Em vitória
diplomática da ilha socialista ao final de encontro da Celac, bloco europeu
firma com Havana documento que lança diálogo em busca de um pacto bilateral
O Estado de
S. Paulo
(Atualizada
às 23h30) BRUXELAS - O governo cubano recebeu um sólido respaldo
internacional no último dia da cúpula da Comunidade dos Estados
Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Os países da União Europeia chegaram
nesta quarta-feira, 29, a um "novo acordo global" que confere à
Comissão Europeia e ao serviço diplomático do bloco europeu um mandato para
negociar um acordo bilateral e "consolidar as relações existentes"
com a ilha socialista.
A informação
é de fontes ligadas à diplomacia de Bruxelas. Segundo um diplomata que anunciou
o avanço, porém, "os aspectos relativos aos direitos humanos" não
serão deixados de lado em meio à contrapartida que o bloco europeu espera de
Cuba para a retomar os negócios com o regime castrista. O futuro acordo entre a
nação caribenha e a UE "servirá para promover o comércio e as relações
econômicas".
A cooperação
europeia com a ilha foi praticamente suspensa em 2003, no contexto da Primavera
Negra - a última onda repressiva do governo de Fidel Castro, na qual 75
dissidentes foram presos, processados e condenados a longas penas por crimes
políticos em julgamentos sumários. Naquele ano, três homens que haviam
sequestrado uma balsa, matado o comandante da embarcação e tentado desviá-la
para a Flórida, foram fuzilados pelo regime.
Diante do
que considerou afronta aos direitos humanos, a União Europeia, que mantinha
relações diplomáticas com a ilha desde 1988, aplicou sanções
político-econômicas contra Cuba, mas manteve ajudas ao desenvolvimento do país.
Em junho de
2008, o diálogo entre a UE e o governo cubano foi retomado - e a cooperação
bilateral normalizou-se em outubro daquele ano. Desde então, Havana firmou
acordos com 15 países do bloco - que mantém até hoje, porém, a "posição
comum", de 1996, que condiciona suas relações com a ilha à tomada, por
parte de Cuba, de passos na direção da democratização do país e a adoção dos
padrões de respeito aos direitos humanos considerados universais pelos países
da UE.
Consenso.
Fontes do bloco europeu afirmaram que o acordo foi possível após Polônia e
República Checa - países mais hostis do bloco ao socialismo cubano - levantarem
suas objeções sobre o mandato. Também reticente, a Alemanha "pediu que
fossem enfatizados os aspectos de direitos humanos". "Já não há
nenhum país (da UE) que bloqueie o acordo."
A decisão -
que não deverá deixa de levar em conta a "posição comum" - foi tomada
por um grupo de trabalho que reuniu técnicos de todos os 28 países-membros,
abrindo caminho para seus chanceleres adotarem a agenda de reaproximação com a
ilha.
A previsão é
que a decisão seja ratificada no dia 10, durante uma reunião entre os ministros
em que nem sequer deverá haver debate sobre o tema, apenas o sinal verde para a
retomada das negociações com Cuba. Em outro passo formal que deve ser tomado antes
da aprovação oficial do conselho de chanceleres da UE, os embaixadores europeus
deverão adotar o novo mandato de relações a partir da quarta-feira.
Uma vez que
os ministros de Relações Exteriores oficializem o mandato, a chefe da
diplomacia europeia, Catherine Ashton, poderá abrir as negociações diretas com
as autoridades cubanas. / AFP e EFE
http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,uniao-europeia-e-havana-avancam-em-negociacoes-sobre-acordo-comercial,1124370,0.htm
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