16 de março de 2011
Paul Krugman
Em alguns comentários a respeito de várias postagens deste blog, a pergunta é que evidências nós temos de que a teoria econômica da armadilha da liquidez é diferente da teoria econômica normal. A resposta está bem diante dos nossos olhos: a falta de aumento das taxas de juro apesar dos enormes déficits orçamentários.
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Se você tivesse dito em 2007 para muitas pessoas que o governo federal em breve estaria administrando déficits próximos de 10% do PIB – Produto Interno Bruto, muitas iriam prever que as taxas de juro aumentariam. Na verdade, poucas pessoas previram exatamente isso – e em alguns casos perderam muito dinheiro para seus investidores.
Mas não foi o que ocorreu. As taxas de curto prazo permaneceram próximas de zero: as de longo prazo flutuaram com as opiniões distintas sobre as perspectivas de recuperação, mas continuaram consistentemente abaixo das normas históricas. Isso é exatamente o que aqueles que conheciam a tese econômica da armadilha da liquidez previram, desde o início.
Não sei que outras evidências vocês podem desejar. Afinal, a armadilha da liquidez tem tudo a ver com taxas de juro.
comentário:
18/03/2011 - 09:11
Enviado por: ferreira
comentário:
18/03/2011 - 09:11
Enviado por: ferreira
Prezado Krugman,
Essa armadilha de liquidez americana repercute aqui no Brasil. Seus patrícios pegam dinheiro barato, aí nos EUA, e vêm para o Brasil especular na Bolsa de Valores ou no mercado financeiro, que paga 1% ao mês. Houve uma época, no governo FHC, que, por falta de dólares, o governo teve que dar garantias de equivalência cambial, mais 30% de juros ao ano (foram os títulos cambiais dolarizados. um americano chegava aqui com 100 milhões de dólares, e, um ano depois, tinha 130 milhões de dólares. Mas isso acabou. Não há mais garantias). Naquela época da crise, ainda que os dólares perdessem valor frente ao real, o governo brasileiro pagaria os mesmos valores da época do ingresso, mais 30% de remuneração. Isso foi utilizado para espantar a crise cambial que atingiu o Brasil e outros emergentes ali por volta de janeiro de 1997, se não me engano, graças á crise originada no México (foi o famoso “efeito tequila”). Bem, atualmente, não há mais garantias de equivalência cambial. Quem chegar aqui vendendo seus dólares a R$ 1,70, pode ver o mesmo desabar para R$ 1,50. Se tiver sido hábil o bastante para sair da Bolsa depois de algum lucro, digamos, de 20%, poderá compensar a perda cambial e ainda embolsar alguma coisa. Caso contrário, a armadilha de liquidez, importada dos Estados Unidos (porque o Brasil está com mais de 300 bilhões de dólares em caixa, teve que colocar até IOF maior na entrada de dólares, e mesmo assim não para de chegar dinheiro aqui), enfim, a armadilha de liquidez está transbordando. Se no Brasil ela provoca o efeito contrário, isto é, mais alta nas taxas de juros, é porque a entrada de dólares causa endividamento interno maior, porque o governo não tem reais para comprar dólares, o que parece uma ironia. Bem, essa história toda trará uma crise grande, econômica, qualquer hora dessas. No Brasil, até o ponto em que a compra de dólares torne-se insuportável economicamente, pois o Banco Central não terá mais dinheiro para fazer câmbio português, isto é, leilão para comprar o dólar mais caro do que vale, e o limite de endividamento interno vai ter estourado. Bem, sei lá, espero a boa sorte resolva tudo.
Essa armadilha de liquidez americana repercute aqui no Brasil. Seus patrícios pegam dinheiro barato, aí nos EUA, e vêm para o Brasil especular na Bolsa de Valores ou no mercado financeiro, que paga 1% ao mês. Houve uma época, no governo FHC, que, por falta de dólares, o governo teve que dar garantias de equivalência cambial, mais 30% de juros ao ano (foram os títulos cambiais dolarizados. um americano chegava aqui com 100 milhões de dólares, e, um ano depois, tinha 130 milhões de dólares. Mas isso acabou. Não há mais garantias). Naquela época da crise, ainda que os dólares perdessem valor frente ao real, o governo brasileiro pagaria os mesmos valores da época do ingresso, mais 30% de remuneração. Isso foi utilizado para espantar a crise cambial que atingiu o Brasil e outros emergentes ali por volta de janeiro de 1997, se não me engano, graças á crise originada no México (foi o famoso “efeito tequila”). Bem, atualmente, não há mais garantias de equivalência cambial. Quem chegar aqui vendendo seus dólares a R$ 1,70, pode ver o mesmo desabar para R$ 1,50. Se tiver sido hábil o bastante para sair da Bolsa depois de algum lucro, digamos, de 20%, poderá compensar a perda cambial e ainda embolsar alguma coisa. Caso contrário, a armadilha de liquidez, importada dos Estados Unidos (porque o Brasil está com mais de 300 bilhões de dólares em caixa, teve que colocar até IOF maior na entrada de dólares, e mesmo assim não para de chegar dinheiro aqui), enfim, a armadilha de liquidez está transbordando. Se no Brasil ela provoca o efeito contrário, isto é, mais alta nas taxas de juros, é porque a entrada de dólares causa endividamento interno maior, porque o governo não tem reais para comprar dólares, o que parece uma ironia. Bem, essa história toda trará uma crise grande, econômica, qualquer hora dessas. No Brasil, até o ponto em que a compra de dólares torne-se insuportável economicamente, pois o Banco Central não terá mais dinheiro para fazer câmbio português, isto é, leilão para comprar o dólar mais caro do que vale, e o limite de endividamento interno vai ter estourado. Bem, sei lá, espero a boa sorte resolva tudo.

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