Lembro-me que, uma de suas inúmeras declarações ao término de seu mandato, seria a de demonstrar como se devia comportar um ex-presidente. Talvez uma alfinetada nos que o antecederam.
Não se pense, de forma alguma, que Dilma e Lula entrarão em colisão. Por mais que a "direita" assim o deseje e ansie. Conquanto as diferenças de estilo, opiniões próprias a respeito de vários assuntos. Eles, penso, falam-se constantemente, senão diariamente.
Lula é um escudo precioso para Dilma. Nem a inesperada mudança sobre os direitos humanos pode abalar a sólida amizade entre ambos. Lula, certamente, compreende e até incentiva a nova postura da diplomacia brasileira.
*
Creio que a ausência de Lula ao referido almoço surtiu mais efeito do que se ele tivesse comparecido. Considero-a como demonstração de desagrado face conduta dúbia por parte do governo norte-americano.
Refiro-me à questão nuclear em que o governo dos EUA estabeceu alguns pontos para resolução de pendências EUA-Irã, mormente a nuclear, pedindo a intercessão do Brasil e da Turquia. Tais tratativas foram combinadas por carta dirigida por Obama ao presidente Lula, este prestes a visitar o país persa, em maio de 2010. Na aludida correspondência, Obama dizia que o Irã criaria clima de "confiança" na comunidade internacional caso aceitasse enviar 1.200 quilos de urânio levemente enriquecido para a Turquia. Ou era para a Alemanha? Em troca, receberia 120 quilos de combustível nuclear.
O Irã aceitou a oferta. Talvez surpreendidos pela competência brasileira-turca, os EUA "pularam fora" com desculpa menor. Dizem que essa atitude indecorosa de Barak Obama foi exigência de Hillary Clinton, a guerreira corna.
Lula, naturalmente, sentiu traído. Mas não se fez de rogado. Anti-diplomaticamente, como é de seu feitio, expôs claramente os fatos na imprensa. Mostrou o lado trágico do "senhor prêmio nobel da paz", que não cumpre nem com 30% de suas promessas pré eleitorais.
Como confiar numa pessoa que não cumpre o palavreado?
Nota: costumeiramente, os EUA nomeiam mulheres para o espinhoso cargo de chefia da Secretaria do Estado. Anteriormente a Hillary Clinton, passaram por ali Madeleine Albright, Condoleezza Rice. Mulheres são osso duro de roer.
* PIG - termo bolado pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, responsável pelo blog conversaafiada.com, cujo significado é Partido da Imprensa Golpista, referindo-se aos jornais O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, Revista Veja e Organizações Globo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário