Antes disso, um susto: escapou por pouco de ser executado no Estádio Nacional de Santiago, onde estavam presos dissidentes do regime de Pinochet. Mostrou o passaporte italiano e conseguiu deixar o estádio. A partir daí, viveu seis meses escondido na embaixada italiana até conseguir mudar para os EUA.José Serra recebeu sem surpresa a informação do suicídio de Allende, confirmada nesta terça-feira. O ex-presidente morreu em setembro de 1973, em meio ao golpe de Pinochet. Havia suspeita de que ele pudesse ter sido vítima de um assassinato. “Com ou sem assassinato o golpe foi brutal”, disse Serra ao site de VEJA. “Eu sempre acreditei na versão do suicídio”.
O ex-governador conta ter recebido informações sobre a morte de Allende de um colega da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, em Santiago: Ricardo Lagos – que, em 2000, se tornaria presidente do Chile. Lagos conversou com o médico que viu o cadáver de Allende e falou a Serra sobre o suicídio do presidente.
“Antes do golpe, Allende dizia que nunca se renderia nem seria apanhado vivo caso procurassem destituí-lo pela força”, diz Serra. “O Palácio do Governo foi bombardeado, os que saíram para se render, assassinados. O plano de Pinochet era colocar Allende num avião e derrubar o aparelho”.
Foi no Chile que Serra formou sua família. Conheceu e casou-se com a bailarina Monica Allende. O casal teve dois filhos: Luciano e Verônica, que tinham 9 meses e 4 anos, respectivamente, quando a família deixou o Chile, escoltada por soldados armados.
Coluna - Maquiavel
http://veja.abril.com.br/blog/politica/politica-internacional/serra-confirmar-suicidio-de-allende-nao-muda-nada/
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