9 de novembro de 2011
É assim que o euro termina.
Não com um “bang” mas com “bunga-bunga”.
Falando sério, como os títulos italianos para 10 anos bem acima de 7%, estamos num território onde todos os círculos viciosos entram em ação – e os líderes europeus parecem cervos apanhados na luz de faróis. E como Martin Wolf diz hoje (terça-feira), o impensável – uma ruptura do euro – se tornou perfeitamente pensável.
Uma zona do euro construída sobre um ajuste deflacionário unilateral fracassará. Isso parece certo. Se os líderes da zona do euro insistirem nessa política, eles terão de aceitar o resultado.
Qualquer caminho plausível, mesmo que parcial, para a salvação do euro depende agora de uma mudança radical na política do Banco Central Europeu (BCE). Mas como diz John Quiggin nesta terça-feira no Times, o BCE tem sido antes parte do problema.
Acredito que a elevação da taxa pelo BCE no começo deste ano vai passar para a história como um clássico exemplo de estupidez política. Provavelmente ainda estaríamos nesse imbróglio se o BCE não tivesse aumentado as taxas, mas a pura estupidez de se obcecar com a inflação quando o euro estava obviamente em risco causa estupor.
Eu ainda acho difícil de acreditar que o euro fracassará; mas parece igualmente difícil de acreditar que a Europa fará o que é necessário para evitar esse fracasso. Força irresistível, encontra objeto imóvel – e vejam a explosão.
http://blogs.estadao.com.br/paul-krugman/2011/11/09/e-assim-que-o-euro-termina/
Comentários:
Enviado por: Didi
Diz um ditado caipira: Casa “véia” quando ronca é porque vai cair!
A situação na zona do Euro deteriorou muito nas duas últimas semanas. Se os atores europeus não abraçarem a causa incontinenti haverá ruptura do bloco e todos os continentes com maior ou menor intensidade serão afetados.
Os brasileiros acostumados a ouvir discursos que “nós estamos preparados” poderão amargar resultado inverso às expectativas.
Enviado por: Didi
O que nos faz pesar que todas as coisas são lícitas, mas nem todas são vantajosas. E foi exatamente assim desde a implantação do Euro. Os europeus estavam divididos quanto a moeda única, muitos achavam que com o passar do tempo o Euro se transformaria numa camisa de força. Em meio as opiniões divergentes haviam os eurocéticos. No ínterim, pelo sim, pelo não, sob a alegação que o Euro traria muitas vantagens e atrairia investimentos para o velho continente, resolveram dar cabo no projeto. Hoje, pelo andamento da conjuntura dá ares que o Euro poderá ser abortado com consequências imprevisíveis no mundo inteiro.
Enviado por: Francisco
Para alguns a saída seria o BCE emitir euros e comprar a quantidade de títulos da dívida italiana, espanhola, portuguesa e grega necessária para estabilizar, em patamar seguro, as taxas de juros demandadas pelo mercado. Talvez um spread de cerca de três pontos percentuais acima dos Bund (título da dívida alemã) fosse razoável. Por sua vez o BC da Alemanha e outros mais, que defendem a ortodoxia monetária, protestam que se o BCE emitir grandes quantidades de euros poderia provocar uma brutal desvalorização da moeda única e um surto inflacionário. Chegam até falar no perigo de uma hiperinflação, como a da Alemanha nos anos 30′s. Uma outra possibilidade de saída para a Itália, independente do que faça o BCE, é simplesmente “pagar para ver” e fazer, com o mercado – bancos,fundo e outros que estão apostando contra a Itália – como naquele jogo, para ver quem “pisca primeiro”. Investidores que estão carregados de CDS (Credit Default Swap) podem estar achando que os elevados lucros que estão auferindo com a elevação do risco Itália são coisa líquida e certa, e que dá para empurrar o país e a Eurolândia um pouco mais para perto da borda do abismo, pois assim seus lucros podem ser ainda maiores. Ao descobrirem que podem ir junto, a aposta contra a Itália e outros países da zona do euro, vai acabar num piscar de olhos. talvez seja preciso pagar para ver.
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