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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Noticiário de 28 de maio de 2012

Bradesco nega negociação para comprar Santander no Brasil
28 de maio de 2012 
Por meio de nota divulgada pela assessoria, o Bradesco negou "enfaticamente" notícia veiculada na edição de domingo do jornal O Globo sobre possíveis negociações para adquirir a operação do Santander no Brasil. De acordo com o Bradesco, a publicação "faz ilações a respeito das negociações com o banco Santander".
Segundo o jornal, se concretizada, a fusão criará o maior banco do País, superando Banco do Brasil e Itaú Unibanco. As conversas entre as duas instituições teriam começado há oito meses, mas se intensificaram nos dois últimos meses, diz O Globo.
O Santander Brasil encerrou o primeiro trimestre com lucro líquido de R$ 1,76 bilhão, queda de 3,3% sobre o mesmo período do ano passado em meio a um salto nas provisões para perdas com crédito. A inadimplência de financiamentos vencidos há mais de 90 dias avançou de 4% no primeiro trimestre de 2011 para 4,5% nos três meses encerrados em março.
O resultado vem na esteira dos balanços de Bradesco e Itaú Unibanco que também divulgaram nesta semana aumento de provisões e de índices de inadimplência no primeiro trimestre, em meio à desaceleração da economia no período.
 
“Me arrependo de ter investido tanto em São Paulo”, diz Walter Torre
Por Guilherme Barros
O empresário Walter Torre (na foto), dono da construtora que leva o seu nome, não esconde mais seu sentimento de decepção e frustração com os problemas jurídicos que fizeram com que o seu mais novo empreendimento, o shopping JK Iguatemi, não fosse inaugurado na quinta-feira 19, como estava previsto.
“Me desanima essa insegurança jurídica”, diz Walter Torre. “Me sinto arrependido de ter investido tanto em São Paulo”.
Além do shopping JK Iguatemi, Walter torre tem uma lista enorme de empreendimentos: 20 hotéis, oito shopppings centers, 1,1 milhão de metros quadrados de armazéns (o equivalente a 28 Anhembis), 360 mil metros quadrados de escritórios, um porto em Praia Grande e a arena multiuso do Palmeiras.
São ao todo, segundo ele, 28 mil empregos a serem gerados com esses empreendimentos.
BC expõe nota de US$ 500 original
          
Uma cédula de US$ 500, de 1928, considerada rara entre estudiosos e especialistas em moedas, passou a fazer parte do acervo do Museu de Valores do Banco Central em Brasília.
A peça chegou ao BC como parte de um conjunto de notas apreendido pela Polícia Federal, incorporado às reservas internacionais do Brasil por decisão da Justiça. No processo de incorporação, ela foi classificada como rara e encaminhada ao Museu.
Devido à intensa utilização pelo crime organizado, as cédulas de US$ 500, US$ 1 mil, US$ 5 mil e US$ 10 mil deixaram de ser impressas em 1946. Essas séries foram descontinuadas oficialmente pelo governo dos Estados Unidos em 1969, quando começaram a ser retiradas de circulação. Apesar disso, a cédula de US$ 500 ainda tem curso legal e é considerada moeda corrente, sendo aceita no comércio.
Cardeal está entre os que vazaram documentos secretos do Vaticano
Um cardeal figura entre as pessoas que vazaram documentos secretos da Santa Sé e teria sido o responsável por manipular Paolo Gabriele, o mordomo do Papa Bento XVI detido na quarta-feira, que seria apenas um executor, indicou nesta segunda-feira a imprensa italiana.
"Um cardeal guiou o 'corvo' (a pessoa que vazou os documentos)", era a manchete do jornal romano Il Messaggero, enquanto o jornal milanêsCorriere della Sera afirmou que havia "um cardeal entre os informantes anônimos".
Um dos informantes anônimos, interrogado pelo periódico La Repubblica, considera que a pessoa que organizou os vazamentos "atua em favor do Papa". "O objetivo dos autores anônimos é revelar a corrupção que existe na Igreja nos últimos anos", segundo esta fonte.
"Os verdadeiros cérebros são os cardeais. E depois há monsenhores, secretários e peixes menores", acrescentou.
Entre os infiltrados, "estão os que se opõem ao cardeal secretário de Estado Tarcisio Bertone, os que pensam que Bento XVI é muito fraco para dirigir a Igreja, e os que acham que é o momento oportuno para se destacar", disse a mesma fonte anônima.
Promotor cogita envolvimento da Lazio em esquema de R$ 5 mi
O escândalo de apostas e manipulação de resultados no futebol italiano pode envolver a diretoria da Lazio. Quem afirma é o promotor Paolo Di Martino, que, segundo o jornal Corriere dello Sport, declarou que uma organização húngara está por trás das partidas arranjadas no Campeonato Italiano, e que há uma "abundância de elementos" que não permite que ele descarte a participação do clube no esquema.
Entre os atletas comprados estaria o capitão da Lazio, Stefano Mauri, que foi preso nesta segunda-feira em operação da polícia italiana. Outras 18 pessoas suspeitas de envolvimento foram detidas, e a polícia invadiu o centro de treinamento da seleção para fazer uma busca e interrogar o lateral Domenico Criscito, ex-Genoa e atualmente no Zenit, da Rússia. O jogador acabou cortado da Eurocopa pelo técnico Cesare Prandelli.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Emocionada, Dilma empossa integrantes da Comissão da Verdade

Flávia D’Angelo, do estadão.com.br
Em uma solenidade marcada por emoção, a presidente Dilma Rousseff empossou, nesta quarta-feira, 16, os sete integrantes da Comissão da Verdade: Cláudio Fonteles, Gilson Dipp, José Carlos Dias, José Paulo Cavalcanti, Maria Rita Kehl, Paulo Sérgio Pinheiro e Rosa Maria Cardoso. Depois assinou o decreto da Lei 12527, de 18 de novembro de 2011, que regulamenta a Lei de Acesso à Informação.
Em seu discurso, Dilma destacou a colaboração de governos que a antecederam e disse que todos trabalharam para a criação da comissão. No fim de seu discurso, com a voz embargada, Dilma pediu que o Brasil não fique à totalidade de sua história. “A ignorância não é pacífica, pelo contrário, mantém latentes, mágoas e controles. A sombra e a mentira não são capazes de prover a concórdia”, disse ela e emocionada citou as vítimas da ditadura e seus parentes. “A força pode esconder a verdade, o medo pode adiá-la, mas o tempo pode trazê-la à luz. Hoje esse tempo chegou.”
 
Antes de Dilma, falaram o representante das Nações Unidas, Américo Incalcaterra e José Carlos Dias, um dos membros da Comissão da Verdade. Incalcaterra destacou a importância para a democracia de um país. “O desenvolvimento (da comissão) é um passo essencial para curar as feridas do País”, afirmou. Ele no entanto, pontuou que as investigações são “decisivas para impulsionar reformas de direitos humanos no futuro mas não substituem o julgamento dos crimes”.
Já José Carlos Dias destacou que “se bem conduzidos, os trabalhos representarão uma institucionalizada memória coletiva”. “Haveremos de encontrar um caminho próprio para oferecer à nação. Ela se dá bem tarde perto da data em que (os fatos) ocorreram, mas acontecem depois de três presidentes que sofreram os abusos daquela época”, afirmou em referência à FHC, Lula e Dilma. Em tom eloquente, Dias afirmou que “jovens daquela época viveram o sonho da contestação, o que não justifica os atos de violência praticandos por agentes do Estado”. Por fim, mandou um recado à nação brasileira e fez um paralelo à obra de Dom Paulo Evaristo Arns, Brasil Nunca Mais, que traz relatos de crimes de tortura: “podem confiar, presidentes e nação brasileira, honraremos o pedido. Não somos os donos da verdade, mas nos comprometemos a dar ao nosso trabalho o Esforço Nunca Mais”.
Solenidade. O evento que empossou o grupo da Comissão da Verdade contou com a presença de todo o corpo ministerial do governo Dilma, dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Collor (PTB), Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e José Sarney (PMDB), familiares de desaparecidos políticos e militantes de direitos humanos.
O grupo deve iniciar ainda nesta quarta a primeira reunião para discutir o plano de trabalho para os dois anos de investigação. De acordo com dados publicados no documento Direito à Memória e à Verdade, do governo, são 150 casos de opositores do regime militar que, depois de presos ou sequestrados por agentes do Estado, desapareceram. A prisão deles não foi registrada em nenhum tribunal ou presídio, os advogados não foram notificados e os familiares até hoje procuram esclarecimentos.
Acompanhe abaixo o minuto a minuto da solenidade de posse:
11:32 – Dilma Rousseff chega para dar início à cerimônia. Sentado ao lado da presidente Dilma, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
11: 37 -Toma a palavra o representante das Nações Unidas, Américo Incalcaterra.
11:38 – Ele ressalta a importância da comissão e diz que ela vai ajudar a sociedade brasileira a entender seu passado, diz ele.
11:39 – O desenvolvimento é um passo essencial para curar as feridas do País, diz ele. Ele parabeniza o Brasil pela inauguração da comissão.
11:39 – A comissão deve trazer a luz sobre incidentes particulares, diz ele. São decisivas para impulsionar reformas de direitos humanos no futuro e não substitui o julgamento dos crimes.
11:41 – Ele parabeniza os sete membros da comissão.
11:42 – Ele oferece apoio de seu escritório para ajudar as investigação da Comissão da ONU.
11:43 – Dilma assina o termo de posse dos membros da Comissão da Verdade. Claúdio Lemos Fonteles é convidado a assinar.
11:44 – Gilson Dipp assina o termo.
11:44 – José Carlos Dias assina o termo.
11:45 – José Paulo Cavalcanti Filho assina o termo.
11:45 – Maria Rita Kehl assina o termo.
11:46 – Paulo Sérgio de Moraes Pinheiro assina o termo.
11:46 – Rosa Maria Cardoso assina o termo.
11:46 – Está instalada oficialmente a Comissão da Verdade.
11:47 – José Carlos Dias, representante da comissão toma a palavra.
11:48 – A instalação da comissão significa passo relevante para a consolidação da sociedade brasileira e vira  a página, diz ele.
11:50 – Ele presta homenagem a Dom Paulo Arns ao citar o livro Brasil Nunca Mais.
11:51 – Dias também cita livros e trabalhos que foram elaborados e que contribuirão para o desenvolvimento da missão de investigar os crimes daquela época. Ele diz que três governos contribuíram para a instalação da comissão: FHC, Lula e Dilma.
11:52 – É preciso revelar a história para que seja mostrado o que dela foi escondido sem revanchismo, diz ele.
11:53 – Jovens daquela época viveram o sonho da contestação. Isso não justifica os atos de violência praticandos por agentes do Estado.
11:54 -Estamos dando continuidade ao que fizeram vários países da América do Sul.
11:55 – Se bem conduzidos, os trabalhos representarão um institucionalizada memória coletiva. Haveremos de encontrar um caminho próprio para oferecer à nação. Ela se dá bem tarde perto da data em que aconteceram, mas acontecem depois de três presidentes que sofreram os abusos daquela época, e que no exercício do poder se engajaram a instalar.
11:56 – Podem confiar, presidentes e nação brasileira, honraremos o pedido. Não somos os donos da verdade, mas nos comprometemos a dar ao nosso trabalho o Esforço nunca mais.
11:58 – Dilma assina a Lei 12527, de 18 de novembro de 2011, que regulamenta a comissão.
11:59 – Dilma toma a palavra.
11:59 – Lula é aplaudido no momento em que Dilma o cumprimenta. Marco Maia também.
12:01 – Dilma inicia o discurso citando o deputado Ulisses Guimarães e diz que se ele vivesse ocuparia um lugar na solenidade. O senhor diretas, diz ela, disse uma vez: a verdade não desaparece quando a opinião dos que divergem. Nas sombras somos todos privados da verdade. Mas não é justo que continuemos apartados dela durante o dia.
12:04 – Verdade é diferente do esquecimento. Ela não abriga ódio, rancor ou perdão. Só esquecimento.
12:04 – Ao instalar a comissão, não nos move o desejo de reescrever a história. E sim, mostrar o que aconteceu sem vetos e sem proibições. Aqui o objetivo é transparência e liberdade. Celebramos aqui um ato de Estado e muito me alegra estar acompanhada dos 3 presidentes que me sucederam nesse 28 benditos anos.
12:05 – Ela é aplaudida de pé.
12:06 – Dilma rende homenagens a Itamar Franco.
12:07 – Ela se refere a cada presente e diz que todos somos responsável por esse momento.
12:08 – Ela cita Lula ao dizer que a Comissão da Verdade foi enviada ao Congresso em seu governo. Cita que a lei foi feita na gestão de FHC. Foi a primeira vez que a sociedade brasileira reconheceu os crimes e os mortos. Cita Collor ao dizer que foi em seu governo que abriram os arquivos do Dops, no RJ.
12:09 – Ela diz que esse momento é um privilégio para a sociedade brasileira.
12:11 – A escolha dos membro foi feita com critérios técnicos e de maneira plural. Eles executarão o trabalho com toda a liberdade, sem a interferência do governo, mas com todo o apoio necessitado. Convidei homens e mulheres com histórico de democracia. O país reconhecerá nesse grupo brasileiros com espírito democrático.
12: 13 – Respeito e reverencio os que lutaram pela democracia e não deixarei de enaltecer esse lutadores e lutadoras que nos levaram a esse pacto politico.
12:14 -Ela fala sobre a lei de acesso à Informação e diz que representa um aprimoramente à sociedade brasileira. por essa lei nunca mais os dados relativos à violação dos direitos humanos poderão ser reservados ou secretos. As duas – comissão da verdade e lei da informação – são frutos de um longo processo de construção da democracia de 7 presidentes. Ela cita Tancredo eves aNo dizer que ele fez parte da transição da democracia que hoje usufruímos .
12:15 – Ela diz que tem orgulho que a comissão e a lei da informação foram instaladas em seu governo.
12:16 – Ela encerra com um pedido: o Brasil não pode ficar sem à totalidade da sua história. A ignorância não é pacífica, pelo contrário, mantém latentes, mágoas e controles. A sombra e a mentira não são capazes de prover a concórdia.
12:17 – Ela se emociona ao citar as vítimas da ditadura e os parentes. É como se disséssemos que se existem filhos sem pais, nunca pode existir uma história sem voz, e quem dá voz à história  são homens e mulheres livres sem medo de escrever. A verdade é filha do tempo, eu acrescentaria que a força pode esconder a verdade, o  medo pode adiá-la, mas o tempo pode traze-la a luz. Hoje esse tempo chegou.
12:19 – A cerimônia termina.

EUA podem ajudar Brasil a abrir 'caixa de Pandora' da ditadura

Diretor do Arquivo Nacional americano diz que Washington tem cooperado com investigações
16 de maio de 2012 
WASHINGTON - Os Estados Unidos devem ajudar o Brasil a abrir a "caixa de Pandora" do seu regime militar, contribuindo com a Comissão da Verdade que inicia os seus trabalhos nesta quarta-feira, 15, disse à BBC Brasil um especialista americano em obter acesso a arquivos confidenciais históricos.
EUA mostram-se solícitos mesmo tendo participado de 'ações reprováveis e imorais do passado' - Divulgação
Peter Kornbluh, diretor de documentação sobre o Brasil no National Security Archive(Arquivo Nacional de Segurança), uma organização sem fins lucrativos vinculada à Universidade George Washington, acredita que o Brasil deu um passo histórico com a criação da Comissão, após o qual será impossível retroceder.
"Uma vez que a caixa de Pandora do passado for aberta, será muito difícil fechar a tampa novamente", diz, referindo-se aos segredos que podem ser revelados pela primeira vez, e que dariam início a um segundo debate no país, desta vez sobre justiça.
Kornbluh, um especialista em "abrir caixas de Pandora" usando a lei de acesso à informação americana, crê que as informações guardadas nos EUA podem ser valiosas principalmente diante da relutância das Forças Armadas brasileiras em abrir seus arquivos.
Sob pressão para ajudar no trabalho de comissões da verdade na região, ele diz, o governo americano tem liberado evidências ainda que atestem suas "políticas externas desabonadoras, reprováveis e imorais do passado", afirma Kornbluh.
Leia a seguir os principais trechos da entrevista.
O que o sr. acha da criação de uma Comissão da Verdade no Brasil?
Peter Kornbluh - É um momento significativo, de reconhecimento da história brasileira. Apesar de a Comissão em si não poder processar ninguém - o que é uma grande concessão aos militares - a verdade que será desenterrada por ela pode ser muito poderosa. Uma vez que a caixa de Pandora do passado for aberta, será muito difícil fechar a tampa novamente. Estou otimista que a Comissão levará à Justiça ao desvendar os crimes contra os direitos humanos cometidos durante o regime militar. 
O que, na sua opinião, pode potencialmente ser revelado pela primeira vez a partir dos trabalhos da Comissão?

Kornbluh - No trabalho de historiadores e pesquisadores de direitos humanos, você não sabe o que não sabe. Embora pareça que muitos dos crimes durante as operações militares sejam conhecidos, se a Comissão da Verdade fizer valer a nova legislação de liberdade de acesso à informação e usar a cláusula desta lei para liberar documentos relativos aos direitos humanos, pode mudar a forma como a sociedade brasileira percebe o seu próprio passado.
O sr. mencionou a concessão feita de saída pela Comissão da Verdade no Brasil no sentido de não processar ninguém. Mas a comissão do Chile também começou com várias concessões e , mais tarde, houve condenações de militares no país.

Kornbluh - A Comissão da Verdade também teve as mesmas restrições, vamos chamar assim, da brasileira. Estava significativamente restrita pela sombra da ditadura de Pinochet e pela ameaça de uma violência renovada por parte dos militares. Só foi estabelecida após Pinochet deixar claro que ela não poderia identificar perpetradores de crimes contra os direitos humanos. Mas o relatório extraordinário de dois volumes da Comissão se tornou base para uma discussão nova no Chile, sobre a busca pela verdade. E no fim, como todos sabem, o próprio Pinochet foi indiciado por crimes contra os direitos humanos. Levou anos, foi preciso muita paciência, mas como uma sociedade civilizada, o Chile caminhou da verdade para a Justiça. Os brasileiros também têm sido pacientes. O poder da informação que a Comissão brasileira gerar pode levar a um novo movimento por reconhecimento, prestação de contas e justiça.
Como o sr. acha que as informações contidas nos arquivos americanos podem ajudar nessa tarefa?
Kornbluh - Um dos resultados mais claros do envolvimento americano em países latino-americanos na época é que os EUA tinham muitos conselheiros de contrainsurgência na região. As autoridades americanas documentaram o papel do Brasil contra a esquerda - não apenas brasileira, mas argentina, uruguaia , chilena - e o papel do Brasil na Operação Condor, uma colaboração liderada pelo regime de Augusto Pinochet no Chile com todos os regimes do Cone Sul. Entre os documentos de rotina do Departamento de Defesa, deve haver relatórios sobre a infraestrutura e as unidades das forças de segurança brasileira que podem ajudar a relacionar quem eram os responsáveis por determinadas regiões onde ocorreram abusos de direitos humanos. Além disso, pode haver relatórios operacionais detalhados e específicos sobre operações de contrainsurgência, operações como a do Araguaia, que reportem a repressão que ocorreu.

Há disposição dos EUA para abrir esses arquivos?

Kornbluh - Os documentos da natureza que estamos falando não são abertos rotineiramente. Os que são considerados altamente confidenciais - que são baseados em fontes dentro do regime militar brasileiro, ou os relatórios de inteligência preparados pela CIA - não são liberados rotineiramente e é preciso uma petição baseada na lei de acesso à informação. Mas hoje, apesar de todo o apoio dos EUA aos regimes autoritários da América Latina na época, a política americana para a região é de fortalecimento de instituições de direitos humanos e da democracia. Os EUA já ajudaram outros países - Guatemala, Peru, Equador - que tiveram comissões da verdade, praticando aquilo que eu chamo de "diplomacia dos documentos", revendo e liberando rapidamente os arquivos em seu poder para uso dessas comissões.
O sr. acredita que o mesmo ocorreria no caso brasileiro?

Kornbluh - Nossa organização espera trabalhar com a Comissão da Verdade brasileira para formular requerimentos detalhados junto ao governo americano de documentos cruciais, da mesma forma que assistimos comissões no Peru, Equador, Guatemala, El Salvador, etc.
Esses processos de revisão do passado podem levar a alguma autocrítica dos EUA sobre o seu envolvimento nos regimes autoritários latinoamericanos?

Kornbluh - Preciso lembrá-lo que o governo americano tem liberado documentos e evidências de seu envolvimento em políticas externas desabonadoras, reprováveis e imorais do passado. Depois que o general Pinochet foi preso em Londres (em 1998), o governo Clinton, sob pressão de organizações como a nossa, e organizações de direitos humanos e de vítimas no Chile, concordou em liberar muitos documentos, incluindo centenas de registros operacionais da CIA para derrubar o governo de Salvador Allende e ajudar Pinochet a consolidar o seu regime. Não é como se tivéssemos autoridades americanas tentando esconder o papel dos EUA no passado. Mas sejamos claros, não é esse o objetivo da Comissão (brasileira) nesse momento. Não é expor o papel dos EUA no golpe no Brasil em 1964: é reunir documentos que possam descrever a repressão durante o período militar. 
Há algum episódio ao qual o sr. particularmente gostaria de ter acesso?

Kornbluh - Eu pessoalmente gostaria de ver todas as comunicações telegráficas americanas no caso (da morte do jornalista) Vladimir Herzog e os relatórios do Departamento de Defesa sobre as operações de contrainsurgência e repressão contra os militantes da guerrilha do Araguaia. Há também muito mistério sobre como o ex-presidente João Goulart morreu, na Argentina, em 1976. Mas o mais importante é que o Brasil está respondendo a um processo ante a Corte Interamericana de Direitos Humanos sobre o caso do Araguaia e, para cumprir as exigências da Corte como uma sociedade moderna, precisa não deixar pedra sobre pedra. Uma destas pedras é a falta de cooperação das Forças Armadas brasileiras. Há no Brasil um setor militar resistente, que se recusa a abrir seus arquivos, dizendo repetidamente que destruiu toda a documentação que seria útil à Comissão da Verdade. Eu, pessoalmente, não acredito nisso. Na experiência de outros países, onde houve afirmações semelhantes, os documentos terminaram reaparecendo. E certamente se os documentos não reaparecerem, alguns documentos americanos devem prover informação valiosa.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Marcha de prefeitos vaia Dilma sobre petróleo


Marcha de prefeitos vaia Dilma sobre petróleo

PRESSIONADA PARA FALAR SOBRE A DIVISÃO DE ROYALTIES ENTRE OS MUNICÍPIOS, EM BRASÍLIA, PRESIDENTE ORIENTOU PREFEITOS PARA QUE LUTEM PELA DISTRIBUIÇÃO "DE HOJE PARA FRENTE", E NÃO PELO QUE JÁ ESTÁ DECIDIDO; CRÍTICAS VIERAM PRINCIPALMENTE DO PRESIDENTE DA CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE MUNICÍPIOS, PAULO ZIULKOSKI

Dossiê Cayman queria lucrar R$ 200 milhões

terça, 15/05/12
por Gerson Camarotti
O advogado e ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos já começou a fazer os primeiros esboços de um livro que vai contar os bastidores de carreira, que irá incluir passagens de quando ocupou o cargo no governo Lula. Haverá um capítulo específico sobre o episódio do Dossiê Cayman.
Pela primeira vez, Thomas Bastos vai revelar que alertou o ex-presidente Lula, na ocasião um líder da oposição, para não embarcar na divulgação do dossiê porque era um papelório falso.
Detalhe: Thomaz Bastos descobriu que um grupo queria criar instabilidade no governo Fernando Henrique Cardoso para especular com a queda dos papéis do governo brasileiro. O grupo que elaborou o dossiê esperava lucrar com essa aposta na desvalorização dos títulos cerca de R$ 200 milhões.
O Dossiê Cayman foi um conjunto de documentos criados com o objetivo de atribuir crimes inexistentes a políticos tucanos, durante a eleição de 1998.
Detalhe: na ocasião havia paridade entre o dólar e a moeda brasileira.

Gurgel: em baixa no Planalto e em alta no Supremo

seg, 14/05/12
por Gerson Camarotti
http://g1.globo.com/platb/blog-do-camarotti/

Foram muito mal recebidas no Palácio do Planalto as declarações do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de que as críticas sobre a sua atuação na Operação Vegas vinham de quem tinha medo do julgamento do mensalão.
No núcleo palaciano, repercute até hoje esta afirmação. Nas palavras de interlocutor direto da presidente Dilma, ao fazer isso Gurgel politizou o julgamento no Supremo.  No governo, já há arrependimentos pelo fato da presidente Dilma ter reconduzido Gurgel no ano passado ao invés de ter indicado o segundo na liste tríplice, Rodrigo Janot.
Em compensação, entre os ministros do STF, o procurador-geral está blindado. Segundo um ministro da Suprema Corte, a postura de Gurgel foi recebida com alívio por muitos colegas. Principalmente quando ele negou que quatro ministros do Supremo estivessem sob investigação.
Portanto, se Gurgel for chamado pela CPI do Cachoeira para dar explicações sobre a conduta da Procuradoria Geral da República na Operação Vegas, o Supremo dará respaldo à decisão dele recusar a convocação.
P.S.:  Enquanto isso, no núcleo do PT, o arrependimento é em relação a algumas das escolhas do ex-presidente Lula para o STF. Em conversas reservadas, o próprio Lula já repetiu mais de uma vez que também se arrepende de alguns nomes.

Cachoeira consegue liminar e não depõe à CPI

LIDERADA PELO EX-MINISTRO MÁRCIO THOMAZ BASTOS, DEFESA DO BICHEIRO ALEGOU QUE NÃO TEVE ACESSO AMPLO A TODOS AS INFORMAÇÕES QUE ESTÃO EM POD...

Aquisição da Delta pela J&F

Meirelles teve aval de Lula para J&F comprar Delta
QUANDO DISSE QUE “GOVERNO FOI CONSULTADO” A RESPEITO DA AQUISIÇÃO, SEM DISPÊNDIO DE RECURSOS, DA EMPREITEIRA PELA HOLDING DO AGRONEGÓCIO, JOSÉ BATISTA JÚNIOR COMETEU UM ATO FALHO; O QUE HOUVE, ISSO SIM, FOI UMA CONVERSA ENTRE HENRIQUE MEIRELLES E O EX-PRESIDENTE LULA

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Contra-ataque ao artigo "Política e moral", de FHC

14 DE MAIO DE 2012
Marcos Coimbra: A política, segundo FHC
Na semana que passou, o ex-presidente Fernando Henrique voltou aos jornais em um novo artigo. Seu título era “Política e moral”. Tratava do recente livro de seu amigo, o sociólogo Alain Touraine, dedicado à interpretação da vitória de François Hollande. Nele, Fernando Henrique entendeu haver uma discussão útil para a compreensão da sociedade brasileira.
O artigo está longe de ser uma obra-prima. Mas é importante pelo que revela do momento pelo qual passam as forças oposicionistas no país.
FHC continua a ser, para elas, a principal referência intelectual. Nenhuma de suas outras lideranças pretende – ou consegue – ocupar o lugar.

É possível que essa ascendência seja uma espécie de compensação dos correligionários. Desde quando deixou a Presidência, nenhum candidato a cargo majoritário de seu partido quis se mostrar verdadeiramente alinhado com ele ou foi firme em sua defesa, quando atacado.

Restou-lhe o papel de líder intelectual, seja da oposição partidária, seja dos segmentos da opinião pública que com ela simpatizam. Suas perplexidades e contradições assumem, portanto, relevância maior.

No artigo, FHC concorda com Touraine no diagnóstico da crise da “sociedade industrial” e do lugar da política dentro dela. A crise teria feito com que as formas clássicas de confrontação política – a “luta entre partidos, com programas e interesses opostos, marcados por conflitos diretos entre as classes” – fossem substituídas por outras.

Em razão “da globalização e do predomínio do capital financeiro-especulativo”, o confronto teria passado a ser entre o “mundo do lucro” e o “mundo da defesa dos direitos humanos e de um novo individualismo com responsabilidade social”. Nesse novo ambiente, a política estaria perante um novo desafio: “Contrapor os temas morais ao predomínio do econômico”.

Não faria sentido lutar pela social-democracia e, muito menos, o neoliberalismo. Como diz Fernando Henrique: “Trata-se de fazer o mundo dos interesses ceder lugar ao mundo dos direitos” e “libertar o pensamento político da mera análise econômica”. A política precisaria entrar na era “pós-econômica”.

Na sociedade que visualiza, os partidos não têm razão de existir, pois estão “petrificados” – como as demais instituições.
Qual a saída? “Só os movimentos sociais e de opinião, movidos por um novo humanismo expresso por lideranças respeitadas, podem despertar a confiança perdida”.

E o Brasil? Que temos a ver com isso? Tudo, segundo FHC. Em suas palavras: “Mutatis mutandi (sic) a temática referida por Touraine está presente entre nós”. Ou seja: não apenas a análise, mas também suas implicações políticas seriam válidas para a nossa realidade.
Tanto nos momentos em que concorda com Touraine quanto naqueles em que expõe suas próprias opiniões a respeito do Brasil, Fernando Henrique realiza, no artigo, a proeza de “desdizer quase tudo que lhe disse antes” – e negar boa parte do que fez como presidente.

Agora que, aos olhos da população, existe um governo mais competente que o seu, nega mérito ao desempenho. Se os outros têm mais sucesso, que se acabe com a noção de eficiência. E ainda há quem brinque com Lula, dizendo que é a “metamorfose ambulante” de que falava Raul Seixas!

Parece que Fernando Henrique acha que Brasil e França são iguais. Que a agenda das duas sociedades é a mesma. Que também nós superamos a luta pela social-democracia e estamos na época da “pós-economia”.

Como se não soubesse que nossa tarefa mais urgente é assegurar a todos o mínimo de participação na sociedade e na riqueza. Que antes de ultrapassar a social-democracia temos de experimentá-la, como dizia Fernando Henrique à época da fundação de um partido que tinha esse projeto no nome.

Parece que se esquece: se houve um governo legitimado pelo economicismo, foi o seu. Eleito e reeleito pelo Plano Real, subindo e descendo na aprovação popular em função da evolução dos indicadores econômicos, com FHC tivemos o ápice da despolitização, em que mais faltou aquilo de que hoje sente falta.

Mas suas opiniões são explicáveis: ao decretar que os partidos caducaram e imaginar uma política de “base moral pós-econômica”, regida por “lideranças respeitadas” (será que está se oferecendo para o papel?), FHC reconhece que o espaço das oposições se reduziu a ponto de ser preciso inventar um novo.
Se, fazendo política, as perspectivas para elas são ruins, que tal inventar a pós-política? Resta saber se é isso o que o país deseja. Ou, como diria Mané Garrincha, se os russos estão de acordo.

Publicado na revista Carta Capital
 

Artigo de FHC: Política e moral


Fernando Henrique Cardoso

Política e moral
O Globo, 06/05/2012
Fernando Henrique Cardoso
Acabo de ler o mais recente livro de Alain Touraine, “Carnets de campagne” (“Cadernos de campanha”), sobre a campanha de François Hollande. Sem entrar no mérito das apostas políticas do autor, é admirável a persistência com que Touraine vem estudando as agruras da sociedade contemporânea como resultado da crise da “sociedade industrial”. Ele refuta análises baseadas em uma sociologia dos sistemas e não, como lhe parece mais apropriado, em uma sociologia dos “sujeitos históricos” e dos movimentos sociais. O livro vai direto ao ponto: não é possível conceber a política apenas como uma luta entre partidos, com programas e interesses opostos, marcados por conflitos diretos entre as classes. A globalização e o predomínio do capital financeiro-especulativo terminaram por levar o confronto a uma pugna entre o mundo do lucro (como ele designa genericamente, com o risco de condenar toda forma de capitalismo) e o mundo da defesa dos direitos humanos e de um novo individualismo com responsabilidade social, temas que Touraine já tratara em 2010 no livro “Após a crise”, fundamentados em outra publicação, “Penser autrement”, de 2007.
A ideia central está resumida na parte final do “Após a crise”: ou nos abandonamos às crises, esperando a catástrofe final, ou criamos um novo tipo de vida econômica e social. Neste é preciso reviver o apelo aos direitos universais da pessoa humana à existência, à liberdade, aos pertencimentos sociais e culturais – portanto, à diversidade de identidades, que estão sendo ameaçados pelo mundo desumano do lucro. É preciso contrapor os temas morais ao predomínio do econômico. Há uma demanda crescente de respeito por parte dos cidadãos. Estes aderem a valores não como decorrência automática de serem patrões, empregados, ricos, pobres, pertencerem a esta ou àquela organização, mas por motivos morais e culturais. Com essa perspectiva, Touraine responde categoricamente que não é com os partidos que a política ganhará outra vez legitimidade. As instituições estão petrificadas. Só os movimentos sociais e de opinião, movidos por um novo humanismo expresso por lideranças respeitadas, podem despertar a confiança perdida. Só assim haverá força capaz de se opor aos interesses institucionais do capitalismo financeiro-especulador que transformou o lucro em motor do cotidiano. Daí a importância de novos atores, de novos “sujeitos sociais”, portadores de uma visão de futuro que rejeite o statu quo.
A partir daí, Touraine, sociólogo experimentado, não propõe uma prédica “moralista”, mas sim novos rumos para a sociedade. Esses, no caso da França, não podem consistir em uma volta à “social-democracia”, ou seja, ao que representou na sociedade industrial o acesso aos bens públicos pelos trabalhadores; nem muito menos ao neoliberalismo gerador do consumismo que mantém o carrossel do lucro. Trata-se de fazer o mundo dos interesses ceder lugar ao mundo dos direitos e à luta contra os poderes que os recusam às populações. É preciso libertar o pensamento político da mera análise econômica. Os exemplos de insatisfação abundam, e não só na França, vejam-se os “indignados” espanhóis, os rebeldes da Praça Celestial de Pequim ou os atores da Primavera Árabe. Falta dar-lhes objetivos políticos que, acrescento eu, criem uma nova institucionalidade, mais aberta ao individualismo responsável e à ação social direta que marcam a contemporaneidade.
Por que escrevo isso aqui e agora? Porque, mutatis mutandis, também no Brasil se sentem os efeitos desta crise. Não tanto em seus aspectos econômicos, mas porque, havendo independência relativa entre as esferas econômicas e políticas, a temática referida por Touraine está presente entre nós. Se me parece um erro reduzir o sentimento das ruas a uma crise de indignação moral, é também errado não perceber que a crise institucional bate às nossas portas, e as respostas não podem ser “economicistas”. A insatisfação social é difusa: é a corrupção disseminada, são as filas do SUS e seu descaso para com as pessoas, é o congestionamento do trânsito, são as cheias e os deslizamentos dos morros, é a violência e o mundo das drogas, é a morosidade da Justiça, enfim, um rosário de mal-estar cotidiano, que não decorre de uma carência monetária direta (embora também haja exagero quanto ao bem estar material da população), mas constitui a base para manifestações de insatisfação. Por outro lado, cada vez que uma instituição, dessas que aos olhos do povo aparecem como carcomidas, reage e fala em defesa das pessoas e de seus direitos, o alívio é grande. O Supremo Tribunal Federal, em uma série de decisões recentes, é um bom exemplo.
No momento em que o Brasil parece mirar no espelho retrovisor das corrupções, abusos e leniências das autoridades com o malfeito, corre-se o risco de crer que tudo dá no mesmo: os partidos, as instituições, as lideranças políticas, tudo estaria comprometido. É hora, portanto, para que, sem olhar para o retrovisor e sem bater boca com “o outro lado”, até porque os lados estão confundidos, surja um discurso de base moral para mobilizar a população. Quem sabe, como na França, a palavra-chave seja outra vez “igualdade”. Na medida em que, por exemplo, se vê o Tesouro engordar o caixa das grandes empresas à custa dos contribuintes via BNDES, uma palavra por mais igualdade, até mesmo tributária, pode mobilizar. Para tal, é preciso politizar o que aparece como constatação tecnocrática e denunciar os abusos usando a linguagem do povo.
Está na moda falar sobre as “novas classes médias”, muitas vezes com exagero. Se até agora elas vão ao embalo da ascensão social, amanhã demandarão serviços públicos melhores e poderão ser mais críticas das políticas populistas, pois são fruto de uma sociedade que é “da informação”, que está conectada. Crescentemente, cada um terá de dizer se está ou não de acordo com a agenda que lhe é proposta. As camadas emergentes não são prisioneiras de um status social que regule seu comportamento. Aos líderes cabe politizar o discurso, no melhor sentido, e com ele tocar a alma dos recém-vindos à participação social, não para que entrem em um partido (como no passado), mas para que “tomem partido” contra tanto horror perante os céus. Isso só ocorrerá se os dirigentes forem capazes de propor uma agenda nova, com ressonância nacional, embasada em crenças e esperança. Sem a distinção entre bem e mal, não há política verdadeira. É esse o desafio para quem queira renovar.

Perillo agiu para evitar ruptura com Cachoeira

POLÍCIA REVELA NEGOCIAÇÃO DE APROXIMAÇÃO DO GOVERNADOR DE GOIÁS                               COM O GRUPO DO EMPRESÁRIO DO JOGO. CONVERSAS COINCIDEM COM EMPRÉSTIMO DE R$ 600 MIL PARA JAYME RINCÓN, EX-TESOUREIRO DA CAMPANHA DO TUCANO
14 de May de 2012
247 - Conversas interceptadas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo revelam o esforço do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), em se aproximar de Carlinhos Cachoeira. Os diálogos coincidem com empréstimo de R$ 600 mil para Jayme Rincón, ex-tesoureiro da campanha do tucano.
Leia na reportagem de Breno Costa, da Folha:
Uma sequência de diálogos interceptados por um mês pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo mostra o esforço do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), em se aproximar e manter boas relações com Carlos Augusto Ramos, o empresário Carlinhos Cachoeira. As conversas ocorreram de julho a agosto de 2011 e relatam queixas sobre contratos do governo, ameaças de ruptura, promessas de vantagens, pedidos de Perillo por encontros com Cachoeira e a nomeação de oito pessoas indicadas pelo empresário. 
O governador diz que as situações nunca aconteceram.
Os diálogos também mostram que o arrefecimento da tensão relatada nas conversas coincide com empréstimo de R$ 600 mil, por meio de empresa-fantasma, para Jayme Rincón, braço direito do governador, porta-voz informal do governo e ex-tesoureiro da campanha do tucano.
Pelas conversas, Cachoeira tinha três porta-vozes junto a Perillo: o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), o ex-vereador tucano Wladimir Garcez e o ex-presidente do Detran Edivaldo Cardoso. Segundo a PF, Cachoeira atuava em nome da Delta Construções.
Tudo começa em 12 de julho de 2011, quando Cachoeira pede para interlocutores avisarem Perillo que ele estava abandonando o governo. A insatisfação envolvia a divisão de percentuais em obras da Agetop, agência de obras do governo de Goiás.
No dia 13, Demóstenes se reúne com Perillo no Palácio das Esmeraldas como porta-voz da revolta de Cachoeira.
O senador relata o encontro ao empresário, dizendo que o governador "já tomou providências" e que trocaria o comando da condução do negócio. "Ele disse que vai sentar com você e pôr você para coordenar lá."
Por volta das 16h do mesmo dia, Edivaldo Cardoso se encontra com Perillo. O recado que chega a Cachoeira é claro: "[O governador] mandou parar tudo e disse que quem vai liderar [a obra] é você", relata Cardoso.
No dia 14, contudo, a crise se agrava depois que Perillo, em discurso público, cita a Delta para dizer que em seu governo não existe conluio.
No dia 15, Cardoso dá recado a Cachoeira. "Ele disse que houve mal-entendido e que ele quer falar com você."
O encontro seria em seis dias. Na véspera, dia 20, oito indicados por Cachoeira para cargos comissionados no governo foram nomeados.
Uma semana depois, Cachoeira empresta R$ 600 mil a Rincón. Os diálogos não deixam clara a razão do repasse, mas a crise acaba.
 

Obama é ‘o primeiro presidente gay’ na capa da Newsweek

Uma semana após a revista “Time” estampar a polêmica capa com a foto de uma mulher amamentando uma criança, a revista “Newsweek” desperto...

Censura ao Brasil247?

Ela não está em risco quando setores da sociedade pedem que uma publicação e seus jornalistas falem, mas sim quando um veículo é forçado a se calar; leia artigo de Leonardo Attuch, responsável pelo Brasil 247

Leonardo Attuch_247 – Nos últimos dias, nossos leitores têm acompanhado o esforço que vem sendo feito pela equipe do Brasil 247 para continuar publicando informações relevantes, mesmo num cenário de extrema adversidade. Nos últimos dois dias, disponibilizamos 40 giga de informações relacionadas à Operação Monte Carlo, na nossa página no Facebook. No dia 27 de abril, já havíamos também antecipado, com exclusividade, o inquérito contra o senador Demóstenes Torres, enviado pelo ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, à CPI. Informações que, muitas vezes, contrariam interesses e forças poderosas da sociedade brasileira.

Como responsável direto pela publicação, compartilho com todos vocês – leitores, mas, sobretudo, amigos aqui no Facebook – as dificuldades que vêm sendo enfrentadas por nossa equipe e as soluções que já estão sendo encaminhadas. Tanto no tocante à infraestrutura, como também no que diz respeito à segurança. Hoje, nesta quarta-feira 9, registramos boletim de ocorrência na delegacia especializada em crimes eletrônicos da cidade de São Paulo para que se investigue a fundo o que está ocorrendo conosco. E pretendemos levantar as causas e apontar os responsáveis, custe o que custar.

É possível, sim, que tenhamos sofrido um ataque, como sugerem vários de nossos leitores. Afinal, a cada dia, o 247 se torna reconhecido como um espaço de liberdade plena onde todos os assuntos podem ser discutidos. Quem nos acompanha há mais tempo, especialmente o público de Goiás, sabe do papel que desempenhamos no escândalo Carlos Cachoeira. Fomos os primeiros a publicar, com coragem, informações que muitos veículos prefeririam manter sob o tapete.

Nossos leitores também sabem que, parafraseando a jornalista Suzana Singer, ombudsman da Folha de S. Paulo, não há temas proibidos no 247. Um deles é a relação entre jornalistas e donos de empresas de comunicação com suas fontes de informação. É curioso que nós, nascidos como veículo independente, estejamos sendo obrigados a nos manter calados – ainda que tentemos resistir bravamente aqui nesta página no Facebook – num momento em que o Brasil discute a liberdade de expressão.

A liberdade de um país não está em risco quando parlamentares de uma CPI ou setores da sociedade pedem que uma publicação e alguns de seus jornalistas venham a público e falem. Ela está ameaçada quando um veículo é obrigado a se calar. Uma sociedade livre discute todos os temas, inclusive o poder exercido pelos meios de comunicação. E os jornalistas deveriam ser os primeiros a defender um debato amplo, aberto, geral e irrestrito.

Por que estamos enfrentando esta situação? Que interesses foram contrariados? São perguntas ainda em aberto, mas que serão respondidas. E este espaço no Facebook, que sabemos ser menos eficiente e agradável do que a nossa página anterior, é uma solução de emergência adotada para que pudéssemos continuar fazendo o nosso trabalho, apesar das adversidades.

Hoje cedo, tínhamos plena confiança de que a situação anterior seria restabelecida. Migramos nossa infraestrutura para o pacote mais rápido e seguro do País – o chamado “estado da arte” em hospedagem. Ainda assim, o serviço apresentou instabilidade e decidimos retornar ao Facebook, pelo que, novamente, pedimos desculpas aos nossos leitores.

Mas, se vale um consolo, não nos calaremos, em hipótese alguma. Hoje, a rede de informações 247 já é um movimento. Envolve mais de 40 profissionais, mas também muitos de nossos leitores, que, na era do jornalismo 2.0, são também nossos colaboradores, dedicados à busca da verdade.

Continuamos subindo duas edições diárias no iPad, revistas semanais e permitindo ainda que todos os leitores publiquem livremente informações relevantes nesta nossa página.
Muito em breve, voltaremos a ter o website jornalístico mais ágil, mais rápido e mais seguro do Brasil. Estamos trabalhando 24 horas por dia nesta direção e mobilizando todos os recursos humanos e materiais necessários.

Nós não iremos desistir da nossa missão, que é informar, sem medo, sem censura e com total liberdade.

http://www.facebook.com/Brasil247, 09 de maio de 2012.

Dono da JBS nega descontentamento de Dilma com a operação

  "Imagina que o doutor Henrique Meirelles vai fazer um negócio que o governo não quer! 99% da carteira da Delta é com governo federal...

‘Venda da Delta é uma afronta a legalidade e a moralidade’

O procurador regional da República Nívio de Freitas Silva Filho, do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, pediu abertura de inqu...

domingo, 13 de maio de 2012

Lei do silêncio - Gal. Romulo Bini Pereira

Em 1979, após muitos debates em amplos segmentos de nossa sociedade, a Lei da Anistia foi aprovada e promulgada no País. Ela veio pôr um ponto final no ciclo de beligerância que se instalou na vida brasileira e criou um pacto de reciprocidade para a reconstrução democrática no Brasil.
Nestes anos de sua vigência, as Forças Armadas cumpriram um papel impecável. Voltaram-se para suas missões constitucionais, sem a mínima interferência no processo político que aqui se desenvolvia. Mantiveram-se em silêncio, acompanhando os fatos políticos, alguns bastante perturbadores, sem nenhuma atitude que pudesse ser analisada como intervenção no processo democrático.
Adotaram uma verdadeira lei do silêncio. Um ajuste entre seus chefes, em busca da concórdia e do entendimento.
No corrente ano, entretanto, dois fatos vieram de encontro à atitude das Forças Armadas. O primeiro foi a criação da Comissão da Verdade. De modo unânime, militares da ativa e da reserva consideraram tal comissão um passo efetivo para atos de revanchismo. Os seus defensores - alguns deles membros da alta esfera governamental e do Poder Judiciário - já falam em rever a Lei da Anistia, mesmo após o Supremo Tribunal Federal ter confirmado a sua validade.
No escopo de se obter a verdade, essa comissão, para ser imparcial, deveria estudar e analisar não só o ideário político-ideológico, mas também os métodos de atuação de quem optou pela luta armada em todo o mundo. Que pesquise os manuais das organizações internacionais para constatar a semelhança dos objetivos e métodos das inúmeras e variadas organizações nacionais, inclusive o Manual do Guerrilheiro Urbano, de Carlos Marighella, a cartilha do terrorismo brasileiro. Os diversos delitos cometidos - assassinatos, atentados, roubos e sequestros - também tiveram, tal como as citadas internacionais, um objetivo único, ou seja, a "derrubada do governo central e a instauração de uma ditadura do proletariado", e não uma democracia, como apregoam seus defensores. Com tal comissão só existirá uma verdade unilateral.
O segundo fato se refere aos incidentes ocorridos na sede do Clube Militar, no Rio de Janeiro, tão chocantes e tão esclarecedores para todos os militares. Chocantes porque velhos soldados, ilustres chefes, instrutores, professores e outros de carreira e vida exemplares foram insultados e agredidos por uma turba de radicais com atitudes e impropérios usados pelos grupos extremistas das décadas de 60 e 70. E esclarecedores porquanto demonstraram que o ódio ideológico e o fanatismo estão novamente presentes em nosso país. Tanto que disse um dos seus líderes: "Somos marxistas radicais". Seu ideário, seus métodos de atuação e seus ídolos são os mesmos das organizações extremistas do passado. Fazem uso até mesmo de ações de intimidação radicais, como o "escracho", de modo idêntico aos trotskistas e aos nazistas nas décadas de 20 e 30. Segundo seus integrantes, suas ações visam a defender a "honra" do nosso país perante a comunidade internacional. Definitivamente, não são aptos para tal defesa. A continuar dessa forma, a citada turba poderá vir a ser um celeiro para novos Araguaias.
Esses dois fatos atingiram frontalmente os objetivos da Lei da Anistia. A concórdia e o entendimento foram atitudes adotadas somente pelas Forças Armadas. Em oposição, um segmento sectário e minoritário demonstrou intransigência e intolerância totalitária para com os militares.
Eles não assumiram seus atos e erros. Talvez para criar uma nova História, na qual seus integrantes sejam os grandes heróis. Talvez para justificar as ações de seus líderes no emprego de jovens em aventuras quixotescas de tomada do poder pela via armada, ou, então, a legitimação das 20 mil indenizações pagas por seus ideais revolucionários.
Não será possível mais aceitar que os "anos de chumbo", expressão de origem italiana tão decantada por esses segmentos minoritários, sejam debitados somente aos atos das nossas Forças Armadas. Na Itália não houve anistia e terroristas estiveram presos por muitos anos. O caso Cesare Battisti, de rumorosa repercussão mundial, exemplifica o desiderato do governo italiano em punir os que optaram pela luta armada. As organizações extremistas brasileiras estavam sossegadas na selva do Araguaia ou nos aparelhos urbanos, algumas nos conventos dominicanos. E assistiram a tudo pacificamente, com uma única exceção: as vítimas de sua autoria, algumas assassinadas barbaramente e outras justiçadas covardemente. Que regime teria sido imposto ao nosso país caso vingasse o ideário radical dessa minoria?
Neste contexto, a palavra dos chefes militares está se fazendo necessária e será um contraponto a possíveis atitudes e ações deletérias, como as agressões no Clube Militar. O que nós, militares, defendemos não é indisciplina ou qualquer conluio, nem quebra dos princípios democráticos. Uma palavra que não signifique um "mea culpa" ou um pedido de perdão. Estivemos, no período da guerra fria, em combate bipolarizado, no qual os extremistas foram banidos em todo o mundo em razão de seu objetivo totalitário e único: a ditadura do proletariado. Correremos riscos, mas eles são inerentes ao processo democrático e à nossa profissão.
Não se admite mais este silêncio reinante. Nas redes virtuais, pela simples leitura de manifestos e artigos oriundos da reserva de nossas Forças Singulares se percebe que estamos num ponto crítico. A nossa autoestima está em visível declínio, agravada por outros fatores, entre eles os baixos salários de nossos subordinados. Dissensões poderão surgir, pois a reserva expressa em muito o pensamento dos soldados da ativa. Possíveis perturbações ou rupturas em nossas Forças trarão repercussões indesejáveis para o nosso país. Não é possível mais calar. A lei do silêncio deve ser quebrada!  
GENERAL DE EXÉRCITO, FOI CHEFE DO ESTADO-MAIOR DA DEFESA

A maior seca em 30 anos

O Estado de S.Paulo
O semiárido nordestino enfrenta a maior seca dos últimos 30 anos, com os efeitos devastadores das calamidades que ciclicamente castigam a região. A estiagem, que já colocou 515 municípios em estado de emergência, provocará uma queda de 40,1% na produção agrícola nordestina em relação à safra de 2010/2011, o que significa uma perda de 1,4 milhão de toneladas, basicamente de milho e feijão, segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A cultura do arroz também foi afetada pela falta de água nos reservatórios. A pecuária regional foi seriamente afetada. Os criadores de gado em zonas mais afetadas pela seca perderam muitas cabeças de gado e, para reduzir os prejuízos, vendem as reses magras que lhes restam para pecuaristas do Maranhão e do Pará. Não são poupadas nem mesmo as matrizes, o que tornará mais difícil a recomposição dos rebanhos.
O governo federal, em articulação com os governos estaduais, tem agido, mas, por enquanto, limita-se às habituais políticas de cunho assistencial, deixando de lado programas estruturais de combate efetivo às secas, como uso mais racional dos açudes, perfuração de mais poços artesianos e emprego da tecnologia desenvolvida para a construção de reservatórios subterrâneos, capazes de evitar que a água acumulada se evapore devido à forte insolação.
Isso não quer dizer que as medidas emergenciais não sejam necessárias. A diferença em relação às secas passadas, como disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Águas Belas (PE), André de Santana Paixão, é que a população passa por dificuldades, mas, por enquanto, não passa fome, graças ao Bolsa-Família, que atende 850 mil famílias na região atingida pela seca. Esse programa foi reforçado pelo lançamento, no fim de abril, pela presidente Dilma Rousseff, da Bolsa Estiagem, com uma verba total de R$ 200 milhões. O programa prevê um auxílio de R$ 400, distribuído em cinco prestações de R$ 80, além do Bolsa-Família, desde que o beneficiário comprove que reside em área afetada pela seca.
O novo programa ainda não alcançou todas as áreas atingidas pela estiagem e é preciso controle adequado para que o dinheiro chegue realmente a quem precisa e não seja desviado no meio do caminho. O governo promete também antecipar recursos do Programa Garantia-Safra (seguro para pequenos produtores), abrindo uma linha de crédito emergencial para produtores no Banco do Nordeste do Brasil (BNB).
Também está em andamento a Operação Carro-Pipa para levar água potável a 654 municípios nordestinos. Há queixas de que o número de carros-pipa dos governos estaduais e do Exército é insuficiente, mas, segundo o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, a frota será ampliada, sendo aplicados cerca de R$ 174 milhões nessa operação. Também serão recuperados 2,4 mil poços, mas o ministro não especificou a verba a ser destinada para esse fim.
Quanto às soluções técnicas, hoje está claro que a transposição de águas do Rio São Francisco, cujas obras estão sendo conduzidas com lentidão, não será uma resposta à altura do desafio. O canal beneficiará uma pequena parcela da população nordestina e as águas serão utilizadas mais para irrigação do que propriamente para abastecimento. Parece claro que falta um empenho do governo em atacar frontalmente o problema das secas no Nordeste.
Não se trata de falta de planejamento. A Agência Nacional de Águas (ANA), que elaborou em 2006 o Atlas Nordeste de Abastecimento de Água, tem projetos para atender às necessidades de 34 milhões de pessoas que vivem em áreas urbanas da região. Para o meio rural, a Articulação do Semiárido Brasileiro, uma rede formada por cerca de 750 organizações da sociedade civil, tem como meta implantar 1 milhão de cisternas, triplicando o número hoje em uso.
É chegado o momento de o governo levar a cabo os projetos que se encontram na gaveta, para que o Nordeste possa conviver com o fenômeno cíclico das secas e prescindir, no futuro, de programas emergenciais.

Para analistas, PIB de 4,5% é inatingível

RAQUEL LANDIM, MÁRCIA DE CHIARA - O Estado de S.Paulo
O crescimento da economia brasileira está frustrando as expectativas e a meta do governo Dilma Rousseff de avançar 4,5% em 2012 se tornou inatingível. Bancos e consultorias cortaram, na semana passada, em cerca de meio ponto porcentual suas estimativas e já preveem que a alta do Produto Interno Bruto (PIB) pode ser inferior a 3% em 2012.
Pelos resultados da atividade econômica de janeiro a abril seria necessário crescer entre 5% e 7% no segundo semestre em relação ao primeiro para atingir a meta, calculam consultorias privadas. "É um salto olímpico, dado o ritmo atual", diz o sócio da RC Consultores, Fábio Silveira.
A economia não está reagindo, apesar do esforço do governo: a queda na taxa básica de juros, a reversão das medidas macroprudenciais e a pressão sobre os bancos privados para reduzir juros e spread. Um desempenho fraco em 2012 pode comprometer o objetivo de Dilma de crescimento médio de 4,7% ao ano no seu governo, similar aos 4,6% do segundo mandato de Lula.
Até mesmo a equipe econômica já sabe que não será possível crescer 4,5%, mas evita admitir em público para não contaminar o setor privado com pessimismo. Segundo uma fonte do governo federal, os dois primeiros anos de Dilma foram sacrificados para cumprir o superávit fiscal e garantir a redução de juros. A recuperação do crescimento, diz a fonte, virá a partir de 2013.
O enfraquecimento das exportações e do consumo doméstico e o peso do estoques, acumulado em setores-chave da indústria, como veículos, foram uma ducha de água fria no mercado. "Crescer 4,5% é extremamente improvável. De onde virá essa demanda toda?", questiona o economista da LCA Consultores, Francisco Pessoa Faria Jr.
Na semana passada, a consultoria reduziu de 3% para 2,6% a previsão de crescimento do PIB para este ano. O corte foi sustentado pelo fraco resultado da indústria, que acumula retração de 1,1% em 12 meses até março, e especialmente pelo desempenho das vendas de veículos novos, que caíram em abril 10,8% em relação a abril de 2011. Além disso, a deterioração da situação na Europa, a retração nas exportações para a Argentina e os problemas climáticos que afetaram a renda agrícola no Nordeste também esfriaram a economia.
Os primeiros sinais do ritmo da atividade em abril são decepcionantes. Em relação a março, o fluxo de veículos pesados nas rodovias caiu 2,6%, a expedição de papelão ondulado recuou 0,1% e o consumo de energia diminuiu 0,4%, conforme dados dessazonalizados pela consultoria Tendências. Esses dados são usados pelos economistas como indicadores antecedentes do PIB.
Silveira, da RC Consultores, também reavalia para baixo a previsão de crescimento, de 3% para 2,5% ou até menos. Ele aponta a queda nas vendas de veículos como ponto central. É que a cadeia automobilística, por ser uma das mais longas e importantes, quando se retrai arrasta outros setores, como indústria petroquímica, siderurgia e autopeças, além do varejo. "Dois meses atrás havia enfraquecimento num pedaço da indústria. Agora o esfriamento ganhou maior amplitude", diz o economista.
Segundo Fábio Ramos, economista da Quest Investimentos, o ritmo das atividades ligadas ao crédito, como investimentos das empresas e compra de bens de maior valor, está fraco, enquanto setores que dependem da renda do trabalhador, como a venda de alimentos e artigos de higiene, mantêm desempenho forte. A consultoria reduziu de 3,5% para 3,3% sua previsão de crescimento, mas pretende cortar mais nos próximos dias.
Rafael Bacciotti, economista da Tendências Consultoria Integrada, chama a atenção para a desaceleração das exportações, bastante afetadas pela queda dos preços das commodities, como o minério de ferro, e pela redução da demanda global. "A influência do setor externo na produção industrial é grande", diz. Por causa dos resultados decepcionantes da indústria, a Tendências reduziu sua previsão de alta do PIB de 3,2% para 2,5%.
Governo. Outro fator que estaria prejudicando o ritmo de atividade é o impacto do ajuste fiscal feito pelo governo para cumprimento da meta de superávit primário em 3,1% do PIB, sem truques contábeis. "A demanda do governo se estabilizou e isso tem impacto na atividade", diz o economista da Rosenberg Consultores Associados, Rafael Bistafa.
Ele pondera que o ritmo de atividade será maior no segundo semestre, quando o impacto da redução da taxa Selic, iniciada em agosto de 2011, e do afrouxamento subsequente da política monetária serão totalmente observados. Porém, ele acredita que esses fatores serão insuficientes para o crescimento de 4,5%. "Só um milagre pode fazer a economia crescer isso este ano." Por enquanto, a consultoria mantém a previsão de alta de 3% do PIB para 2012, mas já introduziu viés de baixa nessa expectativa.

Pacote da Copa levado à Fifa é 'peça de ficção'

BRASÍLIA - O retrato das obras da Copa do Mundo que a comitiva brasileira apresentou à Fifa, para “acalmar” seus dirigentes, está longe da realidade, mostra cruzamento de dados acompanhados pelo governo, pelo Tribunal de Contas da União e pelo Ministério Público. A maior parte das obras para transporte de torcedores metrôs, Veículos Leves sobre Trilhos (VLT) e corredores de ônibus nem sequer tem projetos, e as licitações estão atrasadas. Essa é a fatia mais cara das obras financiadas com dinheiro público: o custo supera R$ 11 bilhões, quase o mesmo valor previsto para estádios e os aeroportos das 12 cidades-sede, juntos. Demais informações aqui