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domingo, 13 de maio de 2012

Para analistas, PIB de 4,5% é inatingível

RAQUEL LANDIM, MÁRCIA DE CHIARA - O Estado de S.Paulo
O crescimento da economia brasileira está frustrando as expectativas e a meta do governo Dilma Rousseff de avançar 4,5% em 2012 se tornou inatingível. Bancos e consultorias cortaram, na semana passada, em cerca de meio ponto porcentual suas estimativas e já preveem que a alta do Produto Interno Bruto (PIB) pode ser inferior a 3% em 2012.
Pelos resultados da atividade econômica de janeiro a abril seria necessário crescer entre 5% e 7% no segundo semestre em relação ao primeiro para atingir a meta, calculam consultorias privadas. "É um salto olímpico, dado o ritmo atual", diz o sócio da RC Consultores, Fábio Silveira.
A economia não está reagindo, apesar do esforço do governo: a queda na taxa básica de juros, a reversão das medidas macroprudenciais e a pressão sobre os bancos privados para reduzir juros e spread. Um desempenho fraco em 2012 pode comprometer o objetivo de Dilma de crescimento médio de 4,7% ao ano no seu governo, similar aos 4,6% do segundo mandato de Lula.
Até mesmo a equipe econômica já sabe que não será possível crescer 4,5%, mas evita admitir em público para não contaminar o setor privado com pessimismo. Segundo uma fonte do governo federal, os dois primeiros anos de Dilma foram sacrificados para cumprir o superávit fiscal e garantir a redução de juros. A recuperação do crescimento, diz a fonte, virá a partir de 2013.
O enfraquecimento das exportações e do consumo doméstico e o peso do estoques, acumulado em setores-chave da indústria, como veículos, foram uma ducha de água fria no mercado. "Crescer 4,5% é extremamente improvável. De onde virá essa demanda toda?", questiona o economista da LCA Consultores, Francisco Pessoa Faria Jr.
Na semana passada, a consultoria reduziu de 3% para 2,6% a previsão de crescimento do PIB para este ano. O corte foi sustentado pelo fraco resultado da indústria, que acumula retração de 1,1% em 12 meses até março, e especialmente pelo desempenho das vendas de veículos novos, que caíram em abril 10,8% em relação a abril de 2011. Além disso, a deterioração da situação na Europa, a retração nas exportações para a Argentina e os problemas climáticos que afetaram a renda agrícola no Nordeste também esfriaram a economia.
Os primeiros sinais do ritmo da atividade em abril são decepcionantes. Em relação a março, o fluxo de veículos pesados nas rodovias caiu 2,6%, a expedição de papelão ondulado recuou 0,1% e o consumo de energia diminuiu 0,4%, conforme dados dessazonalizados pela consultoria Tendências. Esses dados são usados pelos economistas como indicadores antecedentes do PIB.
Silveira, da RC Consultores, também reavalia para baixo a previsão de crescimento, de 3% para 2,5% ou até menos. Ele aponta a queda nas vendas de veículos como ponto central. É que a cadeia automobilística, por ser uma das mais longas e importantes, quando se retrai arrasta outros setores, como indústria petroquímica, siderurgia e autopeças, além do varejo. "Dois meses atrás havia enfraquecimento num pedaço da indústria. Agora o esfriamento ganhou maior amplitude", diz o economista.
Segundo Fábio Ramos, economista da Quest Investimentos, o ritmo das atividades ligadas ao crédito, como investimentos das empresas e compra de bens de maior valor, está fraco, enquanto setores que dependem da renda do trabalhador, como a venda de alimentos e artigos de higiene, mantêm desempenho forte. A consultoria reduziu de 3,5% para 3,3% sua previsão de crescimento, mas pretende cortar mais nos próximos dias.
Rafael Bacciotti, economista da Tendências Consultoria Integrada, chama a atenção para a desaceleração das exportações, bastante afetadas pela queda dos preços das commodities, como o minério de ferro, e pela redução da demanda global. "A influência do setor externo na produção industrial é grande", diz. Por causa dos resultados decepcionantes da indústria, a Tendências reduziu sua previsão de alta do PIB de 3,2% para 2,5%.
Governo. Outro fator que estaria prejudicando o ritmo de atividade é o impacto do ajuste fiscal feito pelo governo para cumprimento da meta de superávit primário em 3,1% do PIB, sem truques contábeis. "A demanda do governo se estabilizou e isso tem impacto na atividade", diz o economista da Rosenberg Consultores Associados, Rafael Bistafa.
Ele pondera que o ritmo de atividade será maior no segundo semestre, quando o impacto da redução da taxa Selic, iniciada em agosto de 2011, e do afrouxamento subsequente da política monetária serão totalmente observados. Porém, ele acredita que esses fatores serão insuficientes para o crescimento de 4,5%. "Só um milagre pode fazer a economia crescer isso este ano." Por enquanto, a consultoria mantém a previsão de alta de 3% do PIB para 2012, mas já introduziu viés de baixa nessa expectativa.

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