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sábado, 23 de fevereiro de 2013


ASSANGE E OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO

Em seu novo livro "Cyberpunks, a Liberdade e o futuro da internet", que começa a ser vendido este mês no Brasil, publicado pela editorial Boitempo, contem uma visão particularmente cética e mesmo negativa sobre o impacto da internet.  Aborda uma possível ameaça para a civilização quando muitos pensam que a internet é uma arma para o progresso humano. 

Assange concorda que a internet deu poder às pessoas a possibilidade do acesso a todo tipo de informação em nível global. Mas, ao mesmo tempo, há um contrapeso a isso, um poder que usa a internet para acumular informação sobre nós todos e utilizá-la em benefício dos governos e das grandes corporações. Hoje não se sabe qual destas forças vai se impor. Nossas sociedades estão tão intimamente fundidas pela internet que ela se tornou um sistema nervoso de nossa civilização, que atravessa desde as corporações até os governos, desde os casais até os jornalistas e os ativistas.

Assange é crítico ao Google e do Facebook, que muita gente considera como maravilhosas ferramentas para o conhecimento ou as relações sociais Ele concorda que o Google é excelente para obter conhecimento, mas também está fornecendo conhecimento “oculto” sobre os usuários. Ele sabe tudo o que você buscou há dois anos. Cada página de internet está registrada, cada visita ao gmail também. Há quem diga que isso não importa porque a única coisa que eles querem é vender anúncios. Esse não é o problema. O problema é que o Google é uma empresa sediada nos Estados Unidos sujeita à influência de grupos poderosos. Google passa informação ao governo de maneira rotineira. Informação que é usada para outros propósitos, que não o conhecimento.

 “Indiscutivelmente há usos legítimos (luta contra a pornografia infantil, o terrorismo, as drogas, a lavagem de dinheiro, a evasão fiscal...) e a maior parte do tempo a polícia faz isso adequadamente. Mas nas vezes em que não faz, esses usos podem ser terríveis, aterrorizadores, como está ocorrendo atualmente nos Estados Unidos onde, sabe-se que lá se faz gravação permanente de todo mundo. Isso é uma ameaça diferente de tudo o que já vivemos antes, algo que nem Goerge Orwell foi capaz de imaginar em "1984".

“Há também uma questão de soberania de países que deveria ser levado em conta. As comunicações que vão da América latina para a Europa ou a Ásia passam pelos Estados Unidos. E essa bisbilhotagem só pode ser evitada através de mensagens criptografadas. E isso não é fácil”.


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