ASSANGE E OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO
Em seu novo livro "Cyberpunks, a Liberdade e o futuro da internet", que começa a ser vendido este mês no Brasil, publicado pela editorial Boitempo, contem uma visão particularmente cética e mesmo negativa sobre o impacto da internet. Aborda uma possível ameaça para a civilização quando muitos pensam que a internet é uma arma para o progresso humano.
Assange
concorda que a internet deu poder às pessoas a possibilidade do acesso a todo
tipo de informação em nível global. Mas, ao mesmo tempo, há um contrapeso a
isso, um poder que usa a internet para acumular informação sobre nós todos e
utilizá-la em benefício dos governos e das grandes corporações. Hoje não se
sabe qual destas forças vai se impor. Nossas sociedades estão tão intimamente
fundidas pela internet que ela se tornou um sistema nervoso de nossa
civilização, que atravessa desde as corporações até os governos, desde os
casais até os jornalistas e os ativistas.
Assange é crítico
ao Google e do Facebook, que muita gente considera como maravilhosas
ferramentas para o conhecimento ou as relações sociais Ele concorda que o
Google é excelente para obter conhecimento, mas também está fornecendo
conhecimento “oculto” sobre os usuários. Ele sabe tudo o que você buscou há
dois anos. Cada página de internet está registrada, cada visita ao gmail
também. Há quem diga que isso não importa porque a única coisa que eles querem
é vender anúncios. Esse não é o problema. O problema é que o Google é uma
empresa sediada nos Estados Unidos sujeita à influência de grupos poderosos.
Google passa informação ao governo de maneira rotineira. Informação que é usada
para outros propósitos, que não o conhecimento.
“Indiscutivelmente há usos legítimos (luta
contra a pornografia infantil, o terrorismo, as drogas, a lavagem de dinheiro, a
evasão fiscal...) e a maior parte do tempo a polícia faz isso adequadamente.
Mas nas vezes em que não faz, esses usos podem ser terríveis, aterrorizadores,
como está ocorrendo atualmente nos Estados Unidos onde, sabe-se que lá se faz gravação
permanente de todo mundo. Isso é uma ameaça diferente de tudo o que já vivemos
antes, algo que nem Goerge Orwell foi capaz de imaginar em "1984".
“Há também
uma questão de soberania de países que deveria ser levado em conta. As
comunicações que vão da América latina para a Europa ou a Ásia passam pelos
Estados Unidos. E essa bisbilhotagem só pode ser evitada através de mensagens criptografadas.
E isso não é fácil”.
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