Por favor, me deem a oportunidade de provar minha inocência. Não acabem com a minha vida, nem me deixem disputar outra eleição em 2030", pediu o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) na tribuna do Senado, em uma última tentativa de salvar seu mandato.
"Alguém disse 'diga-me com quem andas e direi quem és'. Cristo andava com Judas, portanto isso é bobagem. Cada qual pague pelo que fez. Se Carlos Cachoeira cometeu crimes, cana nele. A culpa é dele, não é minha", disse Demóstenes.
"O rádio de Cachoeira é o maior advogado que tenho", defendeu-se Demóstenes Torres na tribuna, ao criticar sua condenação por ter usado um rádio celular recebido do contraventor Carlinhos Cachoeira.
"Eu sou pai do Ministério Público", disse o senador Demóstenes Torres ao destacar sua trajetória como procurador de Justiça.
"Foram três anos de um senador da República gravado indevidamente, ilegalmente", disse o advogado de Demóstenes Torres, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.
"Qualquer parlamentar pode mentir quando discursa. No entanto, é um direito de qualquer outro parlamentar não acreditar na mentira do colega e pedir a sua punição", disse o senador Humberto Costa (PT-PE), relator do processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética.
"Quem julga somos nós. Mas quem condena é o seu passado", declarou Humberto Costa a Demóstenes Torres.
"O senador Demóstenes adotou conduta incompatível com o decoro parlamentar, ferindo de morte a dignidade do cargo e a ética que se impõe aos parlamentares", disse o senador Pedro Taques (PDT-MT), relator do processo na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).
"Conduta moral e decoro parlamentar não é um favor que fazemos à sociedade. É o dever-ser do parlamentar", disse Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) representante do partido que ingressou com representação contra Demóstenes Torres no Conselho de Ética.
"Em vez de os reis levarem os ladrões ao paraíso, os ladrões são os que levam consigo os reis ao inferno", afirmou Randolfe Rodrigues, citando Padre Antônio Vieira, religioso e escritor português que viveu no século XVII.
"O sentimento é de frustração. Estamos aqui constrangidos, muito constrangidos", afirmou a senadora Ana Amélia (PP-RS), ao destacar que a votação da cassação de Demóstenes Torres não era um momento "confortável, prazeroso, alegre".
"Senti em meu coração o peso da traição e vi-me, no alto dos meus 30 anos de carreira pública, enganado", afirmou o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) sobre a decepção após ter discursado a favor de Demóstenes Torres quando surgiram as primeiras denúncias.
"Não pergunte", respondeu o senador e ex-presidente da República Fernando Collor (PTB-AL) ao ser questionado sobre a sensação de ser cassado.
"É uma página virada dentro do Senado", finalizou o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP).
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