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domingo, 14 de agosto de 2011

Israel acuado enfrenta protestos

Preço de queijo deflagra onda de protestos em Israel
Kevin Connolly
BBC News Jerusalém
Atualizado em 2 de agosto, 2011

Uma discussão iniciada no Facebook sobre a alta do preço do queijo cottage deflagrou uma onda de protestos em Israel contra a diminuição do poder aquisitivo no país.

Para os israelenses o queijo cottage é o pilar do café da manhã, o tipo de produto que sentem faltam quando estão no exterior.

Para os israelenses o queijo cottage é o pilar do café da manhã, o tipo de produto que sentem faltam quando estão no exterior.

O protesto majoritariamente online obrigou os comerciantes a abaixarem o preço do queijo, pelo menos temporariamente, e o cidadão comum israelense celebrou uma vitória.

O renomado chef israelense Yisrael Aharoni diz que não se surpreendeu por o tema ter despertado um sentimento mais profundo de descontentamento entre os cidadãos comuns.

"Estou animado com isso, espero e acredito que trará mudanças. Não fazíamos esse tipo de coisa havia tanto tempo e a desculpa sempre foi que a situação política era dura o suficiente, mas não podemos mais aceitar essa desculpa", diz ele.

Preços suíços, salários gregos
Os protestos do queijo cottage mostraram o caminho e, durante o verão no hemisfério norte, nasceram as "cidades de barracas", acampamentos de manifestantes em diversas partes do país.

Em Tel Aviv, as barracas ficam no meio do canteiro do elegante Boulevard Rothschild.

O protesto em Tal Aviv é o maior dos que ocorrem em Israel
A atmosfera no local é uma mistura de praça Tahrir com Woodstock e algum acampamento no sul da França.

Embora pareçam organizados, este é o tipo de protestos que os governos odeiam. É espontâneo, não foi obra de sindicatos ou políticos oposicionistas, não faz exigências concretas, mas é motivado por uma sensação mais profunda de insatisfação.

O problema não é a força da economia, já que os dados de crescimento e o índice de desemprego são bons.

Os manifestantes querem saber como se encontram em uma situação na qual pagam preços suíços e recebem salários gregos. Eles também suspeitam que os políticos corruptos e empresários gananciosos têm parte da culpa.

Levantes árabes
Os manifestantes citam o já crônico problema da baixa oferta de residências no país. Ao contrário de outros países desenvolvidos, a maioria da terra em Israel é nacionalizada, pertence e é controlada por imobiliárias estatais, uma herança dos instintos esquerdistas dos fundadores de Israel.

Poderia fazer sentido em 1948, mas não ajuda muito os que desejam construir mais casa hoje em dia. Os processos de planejamento e aprovação são dignos de pesadelos.

Portanto, é difícil para jovens casais e muitas famílias israelenses gastar boa parte de seus rendimentos em alugueis ou hipotecas.

O colunista do jornal israelense Haaretz Gideon Levy acredita que os protestos estão ligados aos ocorridos este ano no mundo árabe, embora esteja ciente de que críticos lembrem que os levantes em países próximos lutavam por liberdade de expressão e os manifestantes em Israel pedem laticínios mais baratos.

Netanyahu adiou uma viagem ao exterior

No entanto, ele fala de um "efeito borboleta", transmitindo a energia de protestos da Tunísia ao Egito e para Israel.

"Os objetivos são diferentes, o sistema é diferente. Mas a convicção é a de que as multidões fazem a diferença e as pessoas podem escolher. Realmente acredito que o Egito nos ensinou uma lição", diz ele.
O governo israelense parece ligeiramente aturdido com o repentino descontentamento público e o premiê, Binyamin Netanyahu, adiou uma viagem para a Europa. O governo preparou rapidamente um pacote de reformas que inclui a promessa de construção de mais residências para estudantes.

Mas colocar o gênio da insatisfação de volta na garrafa não será tarefa fácil e o governo lida com a dificuldade mais temida pelos governos: a sensação vaga, crescente e perigosa de que nada vai muito bem.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/ultimas_noticias/2011/08/110802_israel_precos_fn.shtml

Depois de protestos, Israel adia aumento da gasolina
Atualizado em 2 de agosto, 2011

O governo de Israel informou que vai adiar o aumento que planejava para o preço da gasolina para tentar enfrentar os maiores protestos populares das últimas décadas no país.

Centenas de milhares de pessoas protestaram nas ruas do país nas últimas duas semanas contra o crescente custo de vida, especialmente contra o aumento dos combustíveis, dos preços de habitação e serviços básicos.

O primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, determinou que uma equipe vai analisar as reivindicações dos manifestantes.

Mas, Netanyahu também alertou para que não sejam usadas soluções temporárias.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/08/110806_israel_manifestacao_mm.shtml

Mais de 250 mil israelenses vão às ruas contra alto custo de vida
6 de agosto, 2011

Motivados pelo alto custo de vida no país, mais de 250 mil manifestantes tomaram as ruas de Israel neste sábado, pedindo “justiça social”, segundo números oficiais.

A imprensa israelense cita mais de 300 mil pessoas e os organizadores falam em até 500 mil. A manifestação já é considerada uma das maiores da história de Israel, país com apenas 7,5 milhões de habitantes.

A onda de insatisfação explodiu com os protestos contra o aumento do queijo cottage, pela internet
O protesto é parte de uma onda de insatisfação que já motivou a montagem um grande acampamento no centro de Tel Aviv, formado por jovens que reclamam do preço dos aluguéis. Outras cidades seguiram o exemplo e as barracas se espalharam pelo país.

Também é visto como um reflexo da chamada Primavera Árabe, o conjunto de manifestações que se espalhou pelo norte da África e o Oriente Médio.

Gritando palavras de ordem como “as pessoas vem antes dos lucros”, os manifestantes se queixam do alto custo de vida, sobretudo dos aluguéis e dos alimentos.

Trata-se do terceiro sábado consecutivo de protestos. A maior concentração ocorreu em Tel Aviv, onde houve apresentação de artistas populares em Israel, como Shlomo Artzi e a cantora Rita.

Em Jerusalém, os manifestantes se concentraram em frente à casa do primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu.

Internet

O movimento de insatisfação ganhou força na internet. Há algumas semanas, uma discussão iniciada no Facebook sobre a alta do preço do queijo cottage deflagrou uma onda de protestos contra a diminuição do poder aquisitivo no país.

O queijo cottage é essencial no café da manhã dos israelenses. O protesto majoritariamente online obrigou os comerciantes a abaixarem o preço do queijo, pelo menos temporariamente.

Após o queijo cottage, o preço dos aluguéis se tornou o alvo dos manifestantes. Durante o verão no hemisfério norte, nasceram as "cidades de barracas", acampamentos de manifestantes em diversas partes do país.

Em Tel Aviv, o acampamento fica no meio do canteiro do elegante Boulevard Rothschild.

Os manifestantes citam o crônico problema da baixa oferta de residências no país. Ao contrário de outros países desenvolvidos, a maioria da terra em Israel é nacionalizada.

O governo israelense já parece ligeiramente aturdido com o repentino descontentamento público e o primeiro-ministro teve de adiar, nos últimos dias, uma viagem para a Europa.

O governo também preparou rapidamente um pacote de reformas que inclui a promessa de construção de mais residências para estudantes.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/08/110802_israel_protestos_rc.shtml

'Protestos sociais' em Israel elevam pressão sobre governo de Netanyahu


Wyre Davies

Da BBC News em Tel Aviv

Atualizado em 13 de agosto, 2011
No sábado passado, centenas de milhares de manifestantes foram às ruas de uma cidade no Oriente Médio. Exigindo mudanças, eles estavam cansados da elite dominante e diziam que o governo já não ouvia seu povo.

Mas isso não aconteceu no Egito, na Tunísia ou na Líbia. Isso aconteceu em Israel.

Se o governo israelense esperava que os protestos de rua, que começaram há três semanas, fossem perder força e se dispersar, isso não aconteceu.

Estima-se que 300 mil pessoas de diferentes origens já tenham se somado às manifestações em todo o país.

Assim como os egípcios fizeram cinco meses atrás na praça Tahrir, no Cairo, os manifestantes israelenses tomaram o coração de Tel Aviv.

Revital Len-Cohen é uma mulher bem educada, uma advogada cujo marido trabalha no setor de tecnologia de ponta, que está crescendo rapidamente em Israel. Ela jamais havia pensado que estaria protestando das ruas.

Mas Len-Cohen tem um filho jovem com sérias dificuldades de aprendizado. Por causa disso, ela teve que deixar o trabalho e recebe pouco ou quase nenhum auxílio do Estado.

Esse, ela diz, é o motivo pelo qual passou uma semana em uma pequena barraca na rua.

"Eu estou realmente desesperada. Este é um país onde nós pagamos nossos impostos e fazemos o nosso melhor, mas agora estamos em uma posição em que eu estou tendo que implorar (dinheiro) para meus pais para sobreviver", disse à BBC, enquanto se sentava sob o sol do meio-dia.

Apolítico

As pessoas aqui têm diversas reclamações diferentes. Cada parte da cidade em que os manifestantes estão acampando, no Boulevard Rothschild, em Tel Aviv, abriga um grupo específico com reivindicações a fazer.

No centro da capital, grupos de israelenses acampam em protesto

Um grupo de estudantes se reúnem ao lado das barracas onde dormem Revital Len-Cohen e outros familiares de crianças com deficiências.

Um pouco adiante estão as famílias que não podem pagar os preços do aluguel até mesmo das casas mais simples. Estudantes, mães, médicos, anarquistas - todos protestam contra o alto custo de vida no país.

Os críticos dizem que suas demandas não são realistas, especialmente quando há uma crise econômica mais profunda e global. Mas outros insistem que isso é uma batalha pela alma e pelo caminho de Israel.

Eles dizem que o seu "movimento" é deliberadamente apolítico. Não se trata de Israel e de sua relação com os palestinos, mas de israelenses normais preocupados que o seu país esteja perdendo todo o sentido de responsabilidade moral e coletiva.

As manifestações, parcialmente promovidas pelas mídias sociais, são inevitavelmente comparadas com a Primavera Árabe.

Os objetivos, circunstâncias e até a conclusão podem ser diferentes, mas o gênio dos protestos está fora da garrafa.

Guarda baixa

Israel é um país onde uma pequena minoria de famílias e indivíduos controla uma quantidade desproporcional de riqueza.

Mais de 300 mil pessoas já se juntaram às manifestações, que se espalham pelo país

Por si só, isso não é incomum: desigualdade na distribuição de renda é algo que pode ser encontrado na maioria dos países, segundo ressaltam os que criticam a suposta "ingenuidade" dos manifestantes.

Mas Israel é um país jovem, fundado sob fortes ideais de responsabilidade social e coesão. Os manifestantes no Boulevard Rotschild querem seu país de volta.

Mas o governo foi pego de surpresa enquanto os protestos cresciam. Havia, inicialmente, incredulidade entre os ministros da coalizão governista.

De muitas maneiras, a economia de Israel esteve imune à crise global. O setor de tecnologia de ponta continua crescendo, e os níveis de desemprego oficial estão muito menores do que em outros países desenvolvidos.

Tardiamente, o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu agiu. Ele prometeu revisar as prioridades do governo. Mas se isso quer dizer, por exemplo, redirecionar fundos do inchado orçamento de defesa do país para políticas sociais, ainda não se sabe.

Netanyahu também nomeou um "conselho de especialistas" para encontrar os líderes dos protestos e avaliar suas demandas. O conselho é liderado pelo professor Manuel Trajtenberg, da Universidade de Tel Aviv.

Há relatos de que o professor rejeitou a oferta inicialmente, com receio de que o processo se tornasse mais uma das pesquisas ineficientes de Israel, resultando em recomendações que nunca seriam obedecidas.

"Os manifestantes no Boulevard Rotschild querem seu país de volta."

Wyre Davies, da BBC

Foi somente no momento em que Netanyahu prometeu modificar suas opiniões fundamentais que o respeitado professor mudou de ideia e aceitou liderar a força-tarefa.

Enquanto a Primavera Árabe leva a um Verão Israelense, ainda não há ameaça à sobrevivência do governo de Netanyahu.

No entanto, com os protestos se espalhando para Jerusalém e outras grandes cidades, a pressão está aumentando.

Manifestações ainda maiores estão planejadas para as próximas semanas
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/08/110812_analise_israel_protestos_wd_cc.shtml



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