13-08-2011
O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, alertou neste sábado, 13, para um momento "novo e mais perigoso" para a economia global, no qual os países desenvolvidos possuem espaço menor de manobra diante da crise de dívida que atinge a Europa.
Zoellick disse que as questões envolvendo a crise soberana da zona do euro são mais preocupantes do que os problemas de "médio e longo prazo" que levaram a agência de classificação de risco Standard & Poor's a rebaixar a nota de crédito dos EUA na semana passada.
"Estamos nos primeiros estágios de uma nova e diferente tempestade, não é o mesmo de 2008", disse o representante do Banco Mundial.
"Nas últimas semanas o mundo moveu-se de uma problemática recuperação de diferentes velocidades, com os mercados emergentes e poucas economias como a Austrália apresentando bom crescimento e os mercados desenvolvidos se debatendo - para uma nova e mais perigosa fase", disse em entrevista ao jornal Weekend Australian.
Zoellick observou que o nível de endividamento das pessoas é menor atualmente do que na crise do crédito de 2007/2008 e que agora também não há o fator surpresa, mas destacou que o espaço de manobra é muito menor agora. "A maior parte dos países desenvolvidos já utilizou o espaço fiscal disponível e a política monetária está o mais flexível possível", ressaltou.
Segundo Zoellick, a estrutura da zona do euro "pode passar a ser o mais importante" desafio do mundo. Para Zoellick, as atitudes tomadas pela União Europeia até o momento estão aquém do necessário. "A lição de 2008 foi a de que quanto mais se demora para agir, mais é preciso fazer", afirmou Zoellick, questionando ainda quando os países financeiramente problemáticos da Europa serão capazes de "pelo menos se anteciparem aos problemas que já os atingiram".
Ele pediu ao primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, que não volte atrás das medidas de austeridade anunciadas em consequência dos protestos recentes, afirmando que os cortes de gastos são "realmente necessários".
Os mercados despencaram nesta semana com rumores de que a classificação de risco da França seria rebaixada em consequência da crise de dívida soberana dos países periféricos da Europa, que se iniciou na Grécia no ano passado e já levou Portugal e a Irlanda a recorrerem ao suporte financeiro externo. Nas últimas semanas, o foco das preocupações migrou para Espanha e Itália, obrigando o governo de ambos países a acelerar programas de ajuste fiscal. A crise se acentuou com conclusões de que a França poderia perder sua nota máxima AAA, de capacidade de pagamento de suas dívidas, levando o também o país a aprofundar as medidas de contenção de gastos.
Os investidores questionam se a França e a Alemanha, as duas maiores economias da zona do euro, podem continuar subscrevendo a dívida de outros países da zona do euro sem perderem suas notas máximas de crédito AAA e sem serem também vítimas da crise.
Zoellick disse que o equilíbrio de poder, influência e peso das nações está "mudando rapidamente, pelos padrões históricos", para as economias em desenvolvimento, lideradas pela China, mas descreveu o país como um "acionista relutante" no sistema global.
O presidente do Banco Mundial disse que a China enfrenta uma série de questionamentos relacionados à sua política doméstica - como manter a industrialização "verde", as reformas do sistema financeiro e o equilíbrio entre as empresas estatais e as privadas. Permitir que o yuan se valorize poderia ajudar a conter a inflação, mas a apreciação da moeda chinesa reduz, ao mesmo tempo, o valor das exportações do país, uma questão politicamente sensível as lideranças.
Pequim também gostaria de aumentar a proteção social, mas não quer o modelo de bem-estar social europeu, observou Zoellick. "Eles me dizem...é muito caro". As informações são da Dow Jones.
http://economia.estadao.com.br/noticias/economia%20internacional,presidente-do-banco-mundial-alerta-para-fase-perigosa-da-economia,80044,0.htm
COMENTÁRIOS:
Oseas Ramos de Siqueira - Jamais, em tempo algum, foi permitido ao USURÁRIO gozar o mínimo de felicidade possível. A usura sempre foi e continua sendo um PECADO MORTAL e o castigo INEVITÁVEL. O pior castigo será agora, neste milênio, claramente demonstrado na parábola do RICO e o pobre Lázaro que comia das migalhas que caia da mesa do rico. Não há nenhum problema em ser rico. Aliás, o dinheiro serve de sombra, como de sombra serve a sabedoria, mas a excelência da SABEDORIA é que ela dá VIDA ao seu possuidor. Os MAGNATAS, os MEGA INVESTIDORES entre outros, estão com a burra atopetada de dinheiro e a mesa deles pode estar farta de tudo, e os trabalhadores do MUNDO inteiro comem das migalhas que caem da mesa deles em forma de salários ou outra forma qualquer. Assim sendo, não há como escapar do JUÍZO agora, e o JUÍZO será SEM MISERICÓRDIA sobre aquele que não fez misericórdia. É importante que se saiba que a misericórdia triunfa do juízo. Se alguém quer saber o que acontecerá agora com o PODER ECONÔMICO no mundo leia a epístola universal de S.Tiago, cap.5 versos 1a6. Não há espaço para transcrevê-los aqui.
Nick Kramer - O que o Zoelick tá se referindo são os 6 trilhões de dólares de hipotecas 5/1 ARM nos EUA que vão passar a ter juros variáveis em 2012. Essas são as hipotecas com qualidade um pouco acima dos subprimes, mas que foram criadas em 2007 no ápice da bolha. E os seguros que protegem essas hipotecas contra seus não pagamentos foram vendidos como Credit Default Swaps para os bancos Europeus, por isso que ele cita "os problemas do Euro". Isso tudo tem a ver com esses 6 trilhões de dólares que possivelmente terão 50-60% de inadimplência, por que nos contratos de hipoteca há cláusulas que citam juros muito mais altos, coisa que os trouxas que assinaram em 2007 não vão honrar. Preparem-se por que é essa a origem da segunda leva da crise mundial. O Bernanke vai meter QE3 no mercado, Obama leva a culpa e Rick Perry é eleito em 2012. Depois disso, inflação de dois dígitos nos EUA, e taxa de juros de dois dígitos também, com a repetição da "era Regan" da década de 80, quando os EUA cresceram demais. História se repete. A questão é apenas saber se Rick Perry (republicano) vai lançar mais guerras sangrentas mundo a fora em 2013.
Seguidor do Observador do Mercado - Não é preciso ser nenhum economista para entender a gravidade do momento economico mundial (isso inclui o Brasil). Na última sexta (12/08), as ações da construção civil derrubaram a Bovespa: das seis maiores baixas, 4 foram ações de construtoras... Vejam esta e outras informações sobre o estouro da bolha imobiliária em www.observadordomercado.blogspot.com
Alaor Verissimo - Zoellick gosta de "fazer noticias" chovendo no molhado. Contagios são óbvios mas, a capacidade de reação dos países é o que devemos nos concentrar. Ele nunca jogará holofotes de elogios ao Brasil. Não interessa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário