Para professor de economia da USP, ao manter a estratégia de acumulação, Brasil escolheu o 'seguro contra crises internacionais' mais caro que existe
11 de agosto de 2011
BRASÍLIA - As reservas internacionais do País subiram US$ 1,588 bilhão nesta quarta-feira, 10, informou hoje o Banco Central (BC). Com a elevação, o montante passou de US$ 349,293 bilhões para US$ 350,881 bilhões no conceito de liquidez internacional. Esta é a primeira vez na história que as reservas brasileiras superam US$ 350 bilhões.
A elevação reflete, entre outros aspectos, a compra de dólares realizada pelo BC em 8 de agosto e a oscilação do valor de mercado dos ativos que compõem as reservas, como os títulos da dívida norte-americana.
Para o professor de economia da USP, Fabio Kanczuk, ao manter a estratégia de acumulação das reservas internacionais, o Brasil escolheu o mais caro seguro contra crises internacionais que existe. Segundo ele, mantido o montante atual por 12 meses, o custo das reservas se aproximaria de US$ 35 bilhões por ano. "O custo de carregar esse dinheiro é muito alto, mas há uma utilidade de ir contra a apreciação do real", reconhece. Ontem, as reservas atingiram os US$ 350 bilhões pela primeira vez na história.
Kanczuk explica que o elevado custo de manter as reservas é explicado pela necessidade de o governo tomar dinheiro emprestado em reais - pagando juro Selic, de 12,5% ao ano - para comprar dólares e investi-los em títulos do governo norte-americano que oferecem juro próximo de 2% nas notas de dez anos. A diferença entre as duas taxas - de cerca de dez pontos porcentuais - é bancada pelo Brasil via Tesouro Nacional.
"É muito caro pagar uma conta de pelo menos US$ 35 bilhões. A estratégia é absolutamente questionável porque há um momento em que, apesar de se aumentar o volume das reservas, o benefício de ter esse seguro não cresce", diz o professor da USP. Kanczuk reconhece, porém, que a estratégia tem ao menos um aspecto muito positivo atualmente. "Foi útil para segurar a valorização do real e, de agora em diante, se a crise piorar, o Brasil terá ainda mais caixa para, por exemplo, emprestar dólares as empresas. Para esse objetivo, a estratégia pode fazer sentido", disse.
O professor da USP defende que há um seguro contra crises internacionais mais barato que a acumulação das reservas. "Melhor seria gastar menos em tempos de bonança, guardar os reais e em uma situação de crise realizar uma política fiscal anticíclica", comentou. No primeiro ano do governo de Dilma Rousseff, as reservas internacionais aumentaram 21,6% e subiram o equivalente a US$ 62,3 bilhões. Ontem, o montante atingiu US$ 350,881 bilhões.
http://economia.estadao.com.br/noticias/economia%20brasil,pela-primeira-vez-reservas-externas-do-pais-ultrapassam-us-350-bi,79823,0.htm
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