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terça-feira, 23 de agosto de 2011

timing de Lula é oposto ao dos tucanos

Jose Roberto de Toledo

Com jeito, mas sem muita paciência, Luiz Inácio Lula da Silva vai impondo ao PT sua vontade de não realizar prévias para escolha do candidato do partido a prefeito de São Paulo. É como se dissesse que, mais do que os militantes, sabe o que é melhor para o PT. Talvez seja verdade, mas não é lá muito democrático.
O argumento de Lula: o partido precisa de uma “cara nova” para vencer. Ponto, parágrafo. No seu cenário eleitoral, o ex-presidente não vê José Serra (PSDB) entre os adversários petistas em 2012. Se estiver correto, será uma eleição sui generis, com os principais partidos apresentando “caras novas”, que é uma maneira simpática de dizer candidatos desconhecidos (Paulo Maluf é café-com-leite).
Um modo de entender o argumento sumário de Lula é que ele não quer uma candidata com rejeição particular, como a senadora Marta Suplicy, somando à rejeição coletiva do partido. Foi o que aconteceu em 2004, quando a prefeita, apesar do saldo positivo de avaliação, perdeu a reeleição para si mesma e ressuscitou Serra.
A “cara nova” pedida pelo ex-presidente tem apenas um nome: Fernando Haddad, seu ministro da Educação. Os deputados Jilmar Tatto e Carlos Zarattini, embora tão desconhecidos quanto do grande eleitorado, não parecem se qualificar ao status de novidade defendido por Lula. A cara, além de nova, deve ser atraente.
Aceita essa premissa, Haddad tem potencial para melhorar a desempenho do PT no eleitorado feminino de classe média, um dos pontos fracos do partido. Além de poder se apresentar como pai do CEU -sem trocadilho- e do Pro-Uni. E só. Será o suficiente para eleger-se prefeito? Depende da concorrência.
No cenário traçado por Lula -só com desconhecidos e o desgastado Maluf- o candidato do PT, mesmo partindo do zero, teria boas chances de chegar ao segundo turno, empurrado por ele, pelo voto petista na periferia paulistana e pelo tempo de propaganda compulsória na TV. Lula tem o case de Dilma Rousseff para ilustrar sua teoria. Mas há furos.
Eleição para prefeito tem lógica diferente da eleição para presidente. O que está em jogo é trânsito, ônibus, metrô, escola e posto de saúde. Tem pouco a ver com política econômica e consumo. O aval de Lula conta muito menos.
Numa eleição apenas com “caras novas”, o eleitorado pode se enfeitiçar por outro rosto. Com diferentes graus de novidade, podem estar na disputa Gabriel Chalita (PMDB), Soninha (PPS), Paulinho da Força Sindical (PDT), Celso Russomanno (PP) e um representante do prefeito Gilberto Kassab -o secretário Eduardo Jorge (PV) ou o vice-governador Afif Domingos (PSD).
Além disso há a questão tucana. No cálculo de Lula, o candidato do PSDB seria escolhido -em prévias, vale destacar- entre o senador Aloysio Nunes, o deputado Ricardo Trípoli e os secretários José Aníbal, Bruno Covas e Andrea Matarazzo.
Na hipótese de Haddad chegar ao segundo turno paulistano, seu adversário seria um tucano pouco conhecido ou uma das “caras novas” dos outros partidos, com mais chance para Chalita. Ganha quem tiver menos rejeição. Como são todos pouco conhecidos, são também pouco rejeitados -salvo o candidato do PT, que carrega a ojeriza da elite paulistana e de boa parte de sua classe média ao partido.
Esse é o cenário positivo para Haddad. O negativo é Lula estar errado na sua avaliação e Serra se tornar o candidato do PSDB. O tucano sairia favorito para chegar ao segundo turno. E sobraria para o petista disputar com as outras “caras novas” a segunda vaga. Se não decolar logo, corre o risco de se embolar com outros neófitos e, no limite, cair fora ainda no primeiro turno.
Para a tática de Lula funcionar, o PT precisaria escolher logo Haddad e começar a trabalhar seu nome o quanto antes, para que ele chegasse com uma velocidade inicial mais alta em 2012.
Esse cronograma é oposto ao do PSDB. Os tucanos devem fazer suas prévias apenas no próximo ano. E, no que depender das viúvas de Serra, quanto mais demorar melhor. Assim, o candidato derrotado a presidente manteria chances de entrar na disputa se o cenário lhe convier e as pesquisas estimularem.
Lula já mostrou que tem pressa e vai forçar uma definição rápida do PT. Pode ser uma vantagem, se os tucanos apresentarem também uma “cara nova” -ou um problema, se Serra entrar na disputa.

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