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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Os fracassos de Heloísa Helena e de Marina

BLOG DO EMIR


Duas candidaturas que poderiam levar à construção de forças alternativas no campo da esquerda fracassaram. Não pela votação que tiveram, mas justamente pela forma como a obtiveram, não puderam acumular forças para poder construir uma força própria. Erros similares levaram a desfechos semelhantes.

Lançaram-se como se fossem representantes de projetos alternativos, diante do que caracterizavam como abandono desse caminho por parte do PT e do governo Lula ou, no caso, especificamente da Marina, de não contemplar as questões ecológicas. Ambas tiveram em comum, seja no primeiro turno, seja no segundo, a definição de uma equidistância entre Lula e Alckmin, no caso de HH, entre Dilma e Serra, no caso da Marina.

Foi um elemento fundamental para que conquistassem as graças da direita – da velha mídia, em particular – e liquidassem qualquer possibilidade de construir uma alternativa no campo da esquerda. Era uma postura oportunista, no caso de HH, alegando que Lula era uma continuação direta de FHC; no caso da Marina, de que já não valeriam os termos de direita e esquerda.

O fracasso não esteve na votação – expressiva , nos dois casos – mas na incapacidade de dar continuidade à campanha com construção de forças minimamente coerentes. Para isso contribuiu o estilo individualista de ambas, mas o obstáculo politico fundamental foi outro – embora os dois tenham vinculações entre si: foi o oportunismo de não distinguir a direita como inimigo fundamental.

Imaginem o erro que significou acreditar que Lula e Alckmin eram iguais! Que havia que votar em branco, nulo ou abster-se! Imaginem o Brasil, na crise de 2008, dirigido por Alckmin e seu neoliberalismo!

Imaginem o erro de acreditar que eram iguais Dilma e Serra! E, ao contrário de se diferenciar e denunciar Serra pelas posições obscurantistas sobre o aborto, ficar calada e ainda receber todo o caudal de votos advindos daí, que permitiu a Marina subir de 10 a 20 milhões de votos?

Não decifraram o enigma Lula e foram engolidas por ele. O sucesso efêmero das aparições privilegiadas na Globo as condenaram a inviabilizar-se como líderes de esquerda. Muito rapidamente desapareceram da mídia, conforme deixaram de ser funcionais para chegar ao segundo turno, juntando votos contra os candidatos do PT. E, pior, o caudal de votos que tinham arrecadado, em condições especiais, evaporou. Plinio de Arruda Sampaio, a melhor figura do PSOL, teve 1% de votos. Ninguem ousa imaginar que Marina hoje teria uma mínima fração dos votos que teve.

Ambas desapareceram do cenário politico. Ambas brigaram com os partidos pelos quais tinham sido candidatas. Nenhuma delas se transformou em líder política nacional. Nenhuma força alternativa no campo da esquerda foi construída pelas suas candidaturas.

Haveria um campo na esquerda para uma força mais radical do que o PT, mas isso suporia definir-se como uma força no campo da esquerda, aliando-se com o governo quando ha coincidência de posições e criticando-o, quando ha divergências.

O projeto politico do PSOL fracassou, assim como o projeto de construção de uma plataforma ecológica transversal – que nem no papel foi construída por Marina -, reduzindo-as a fenômenos eleitorais efêmeros. O campo político está constituído, é uma realidade incontornável, em que a direita e a esquerda ocupam seus eixos fundamentais. Quem quiser intervir nele tem de tomar esses elementos como constitutivos da luta política hoje.

Pode situar-se no campo da esquerda ou, se buscar subterfúgios, pode terminar somando-se ao campo da direita, ou ficar reduzido à intranscendência.

COMENTÁRIOS:
ana db diz:

Se deixaram usar no projeto do PiG de reconquista do poder politico pela direita. O povo que não é burro notou que as duas estavam deslumbradas com a atenção do PiG. Pelo espaço na midia mandaram as favas qualquer ideologia politica. Enfim, se venderam.
Fred diz:

Acho que generalizou demais, Marina ainda passa sinceridade em suas falas, mesmo que estrategicamente tenha cometido erros e omissões terríveis; já HH baseou tudo no ranço e no ressentimento pessoal, escondeu o aliado (PSTU)durante a campanha, não apresentou uma única linha de programa do próprio PSOL, tanto que deixaram ela falando sozinha; e assim ela continua. Uma pena, ela que no passado foi tão combativa.
LUIZ diz:

MS é a unica responsável pela eleição do Collor como senador.
HH, depois que foi eleita uma das personalidades mais poderosas do mundo, ficou se achando.
Ary diz:

Sempre brilhante, o professor! Olha, no fundo, ambas foram vitimadas por doenças infantis. Marina, vitimada pelo verdismo (doença infantil do ambientalismo); Heloisa Helena, vitimada pelo esquerdismo (doença infantil do comunismo). Para ambas existe tratamento. Primeiro passo: humildade política. Mas aí temos um problema: ambas "sentem orgulho de serem humildes".
LUIZ diz:

HH, tem síndrome de Madre Tereza de Calgutá.
MS, queria ser presidenta, foi preterida por Lula.
Ambas tinham um propósito, VINGANÇA!
Fábio Faiad diz:

Emir, embora concorde com o argumento central do seu texto, gostaria de colaborar com três sugestões às suas análises:
[1] Acho importante separarmos Heloísa Helena do PSOL. Ela é integrante do partido, mas não é o partido. Por exemplo: diferente da HH, o PSOL, em 2010, não só defendeu o voto crítico na Dilma como, no RS, apoiou o Paim para o Senado. Tanto HH quanto o PSOL cometeram seus erros e seus acertos, mas em muitas vezes ambos tiveram (e, a meu ver, estão tendo hoje) comportamentos distintos;
[2] Considero HH uma pessoa séria. Acho que os erros políticos dela foram muito mais por extremismo ideológico pessoal do que por oportunismo. Diferente da Marina, HH rompeu com o PT no começo do governo, em um processo político legítimo. E ela não saiu sozinha: foi acompanhada de inúmeras forças de esquerda descontentes com os rumos do primeiro mandato do Lula;
[3] No caso da Marina Silva, ela mandou às favas a sua ideologia (da qual ela se serviu por cerca de 30 anos) e tentou se apresentar como uma alternativa de "centro" (mas, na prática, ajudando a direita). Após SETE ANOS DE MINISTÉRIO, ela saiu dizendo que tinha corrupção no governo. Depois de 7 anos, ela só viu tais problemas quando estava próximo da data-limite para mudar de partido e se candidatar à presidente? "Oportunismo", para mim, é pouco para definir tal postura!
Por fim, Emir, concordo com o seu ponto central: o erro é "não distinguir a direita como inimigo fundamental". Ainda que tenhamos críticas pesadas ao governo Dilma, não dá para tomar nenhuma atitude que ajude a direita em seus propósitos.
Zilda diz:

O discurso histérico de HH e o discurso empolado de Marina não agradam o povo brasileiro. Quem ouve Marina falar só entende se tiver ínstrução superior. Ela não fala a linguagem do povo. O discurso é articulado é bem verdade. Mas não é acessível. HH só sabe berrar!
Mais uma vez, uma análise muito clara de duas figuras que se deram mal por causa do individualismo e do oportunismo.  Danem-se!

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